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domingo, 3 de junho de 2018

Revista da Imprensa Antiga (17)

OS CARROS AMERICANOS

Temos notado que alguns dos carros americanos fazendo serviço entre esta Vila e a visinha Póvoa, estão bem longe de um estado de limpeza e conservação que bem seria para desejar.
nada custaria aos seus proprietários actuais um poucochinho de atenção pelo público,mandando fazer nos carros, que d'isso necessitassem, alguns consertos que os embelezassem internamente um pouco, isto é, que lhes tirasse aquele aspecto de negrume que teem os bancos e os encostos, e que os tornam um tanto repugnantes, o que não é pedir em demasia. Também não ficaria mal serem os mesmos carros varridos mais do que uma vez ao dia, pois quando chegam ao meio da tarde, o lixo que há dentro d'eles dá para estrumar um quintal!
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 "A Republica", de 9 de Junho de 1912

domingo, 4 de dezembro de 2016

Revista da Imprensa Antiga (16)

UM AMONTOADO DE RUAS TORTAS E VELHAS

... dissemos que Vila do Conde era, desde o Largo dos Artistas até à Praia, uma coisa linda e admirável, apesar ainda da sua falta de habitações. (...) Só quando estiver completamente construída com novas avenidas e ruas transversais de acesso de umas às outras, é que será o que deve ser!... E então Vila do Conde  poderá orgulhar-se de ser uma terra moderna, grande, limpa, airosa e bela, como poucas. Porque - digamos  com franqueza - Vila do Conde antiga não passa, na sua maior parte, dum amontoado de ruas tortas e velhas, com um aspecto triste e impressionante, e até mesmo detestável, algumas, como por exemplo: Rua do Socorro, Rua de Fraga, Rua da Costa ... e mesmo a Rua da Igreja!... E só muito tarde ou nunca! elas poderão ser esteticamente corrigidas...
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"O Democratico", de 7 de Outubro de 1932

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Revista da Imprensa Antiga (15)

ESTALEIROS

Não se pode actualmente fazer uma ideia, sequer aproximada do movimento e actividade que isso imprimia a esta Vila o seu estaleiro, no tempo em que toda a margem do Ave, desde a Alfândega até ao Cais das Lavandeiras, era insuficiente para se erguerem as quilhas dos navios em construção e contratados para construir.
Não era só aos carpinteiros da ribeira que o estaleiro dava trabalho. Os ferreiros, os calafates, polieiros, cordoeiros, entalhadores e muitos outros artífices, tinham ali  durante o ano trabalho remunerador.
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"Commercio de Villa do Conde", de 3 de Maio de 1908

domingo, 29 de setembro de 2013

Revista da Imprensa Antiga (14)

CÍRCULO  INFERNAL

Quanto menos se ganha, menos se gasta;
Quanto menos se gasta, menos se compra;
Quanto menos se compra, menos se encomenda;
Quanto menos se encomenda, menos se fabrica;
Quanto menos se fabrica, menos se ganha;
Quanto menos se ganha, menos se gasta.
Eis o círculo infernal em que estão metidos os consumidores do mundo inteiro, e do qual não poderão sair enquanto se persistir em reduzir-lhes o poder de compra.
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"O Democratico", de 21 de Junho de 1935

domingo, 4 de agosto de 2013

Revista da Imprensa Antiga (13)

INTEGRIDADE CONCELHIA

Alguns jornais da Póvoa de Varzim aproveitam o ensejo da apresentação d'um projecto de lei que anexa ao concelho do Porto várias freguesias do antigo concelho de Matosinhos, para falarem na conveniência de se anexarem agora ao concelho vizinho o lugar da Poça da Barca e as freguesias aquém do Ave. Há poucos anos, quis fazer-se essa anexação à má-cara, e anunciou-se até para breve, com muitas prosápias e roncarias, que afinal se foram aquietando e sumindo, depois de várias peripécias interessantes que não esquecemos... Agora lembra-se uma anexação à boa-paz, por um entendimento, um ajuste, uma combinação, visto como seria fácil dar-nos, em troca do que perderíamos, a compensação de algumas freguesias novas. Muito à boa-paz também diremos que é melhor não pensar em tal, porque em negócios  d'essa natureza não entrará a gente de Vila do Conde, que não quer mais do que o que tem, mas que também não se resignará facilmente a ficar com menos do que aquilo que possui ou a trocar por terras novas as suas velhas freguesias...
Deixemos pois esquecida essa velha questão deplorável. Cada um em sua casa e cada um com o que tem.
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"A Republica", de 15 de Julho de 1917

Revista da Imprensa Antiga (12)

PROCISSÃO DO CORPUS CHRISTI

E a 3 de Junho, Vila do Conde festejou o Corpus Christi, aquela antiquíssima procissão que outrora revestia uma solenidade imponente, com o S. Jorge a cavalo e guarda de honra militar a darem mais imponência ao acto. Atrás iam os camaristas todos anchos, enfaixados, as autoridades com toda a garbosidade, os clubs, os condecorados... a gente grada da terra... os grandes senhores do burgo... e, por último, os empregados menores, como modestos e leais servidores... e, em vez da militança, lá tínhamos os bombeiros soldados  também, mas da paz a fazerem guarda de honra.
Antes que a procissão saísse, resolvemos dar uma vista d'olhos pelas ruas vistosas e artisticamente enfeitadas e tapetadas de flores.
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"O Correio do Ave", de 11 de Julho de 1915

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Revista da Imprensa Antiga (11)

COMETA HALLEY

Na noite de 18 para 19, principalmente das 2 para as 3 horas da madrugada, as ruas e pontos altos de Lisboa ofereceram um espectáculo curioso. Elevadíssimo número de pessoas, que mais aumentou depois dos espectáculos terminarem, os quais estiveram bastante concorridos, passeavam d'umas para outras ruas, dirigindo-se na maior parte para os pontos de maior elevação, a fim de verem e observarem o cometa de Halley, o famoso astro errante que, segundo se dizia entre as classes menos cultas, vinha na sua trajectória fazer o Mundo em fanicos. O mais curioso é que muitas pessoas, famílias inteiras, saíram de suas casas sobraçando farnéis e borrachas com vinho para...esperarem  o momento crítico de terminar o Mundo comendo e bebendo. É porque queriam marchar deste para melhor com a barriga cheia... Querem saber o que sucedeu ? Depois da uma hora da madrugada caiu uma formidável bátega d'água e os curiosos que esperavam ver o cometa encontraram-se molhados, escorrendo água, fugindo em debandada para suas casas. O pagode naquela ocasião foi admirável. Cada qual o que procurava era chegar primeiro a casa, maldizendo a hora em que haviam saído para observarem o cometa.
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"O Villacondense", de 28 de Maio de 1910

domingo, 23 de junho de 2013

Revista da Imprensa Antiga (10)

UMA AVENIDA CENTRAL...

Há muitos anos já que o povo vilacondense, num acordo quasi unânime de opiniões, vem reclamando, como medida de interesse público, indispensável e instante, e, principalmente, como imperioso benefício ao necessário embelezamento da nossa terra, a expropriação ou, talvez melhor, a aquisição pela Câmara de todos os prédios e terreno que constituem o quarteirão delimitado ao Norte pela Igreja Matriz, ao Sul pela Rua Barão do Rio Ave, ao Nascente pela Praça de S.João e ao Poente pela Rua da Igreja...
Concentrai por momentos o vosso espírito e reflecti. Sem um grande esforço de imaginação, podereis ver o que terá de grandioso, de imponente, de singularmente belo a futura Avenida Central de Vila do Conde ! Ajardinai-a, aformoseai-a com arte, concedei-lhe um especial carinho, dai-lhe vida e cor, e tereis ante os vossos olhos, estáticos, um dos mais lindos recreios das terras de Portugal. É que a seu lado, sobranceiro, ergue-se altivamente o nosso mais nobre monumento a Igreja Matriz suprema maravilha de arquitectura manuelina que, uma vez desafogado e liberto, se revela aos nossos olhos, presos de encantamento, em toda a sua pujante e esplendorosa magnificência.
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"O Democratico", de 10 de Março de 1928

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Revista da Imprensa Antiga (9)

MENDICIDADE

Que vemos? Tantos lumes, tantas flores, tantas sedas e rendas caras, tantos andrajos, tanta fome, tanta miséria, eis um contraste flagrante aqui, na nossa terra, tão pequena, onde todos nos conhecemos, e parece não sentirmos as desgraças que, bem perto de nós, chamam a nossa protecção. Criancinhas quase nuas, com os frios que têm estado, raparigas ainda novas, magras, esquálidas algumas, cansadas do trabalho atrofiante da almofada, único arrimo da sua atribulada vida, velhinhos andrajosos arrastando a sua existência triste, desconfortável. Vemos tudo isso, a passar aí nas ruas, sabemos como vivem, e somente, quando aos sábados em magotes, imploram a nossa esmola, nos incomodamos e bradamos contra a mendicidade.
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"A Republica", de 25 de Janeiro de 1930

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Revista da Imprensa Antiga (8)

 A FEIRA DOS 3

Esteve concorridíssima a feira anual dos 3 d'Agosto. Praça de S. João, Praça da República, Rua 5 d'Outubro e Avenida Campos Henriques, regurgitavam de povo. É a feira dos derriços. Marias houve que, num abrir e fechar d'olhos, davam expediente a meia dúzia de Maneis, derriçando ora em prosa, ora em verso. Comboios, americanos, restaurantes, hotéis, casas de pasto e cafés fizeram excelente negócio. Que nos conste, nem furtos, nem desordens nem qualquer outra ocorrência desagradável.
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"A Republica", de 8 de Agosto de 1915

sábado, 20 de abril de 2013

Revista da Imprensa Antiga (7)

NO LARGO DOS ARTISTAS

Para o centro da vila, como este largo está situado, temos chamado várias vezes  a atenção das autoridades para a garotada que ali se junta e que se porta de tal forma que não só irrita mas enerva quem ali mora ou passa. Ontem, por duas vezes os matulões se envolveram em desordem e como desfecho recebeu um dos mais matulas, uma facada nas costas, ao fim de várias pauladas. No coração da vila, não se pode tolerar tais espectáculos! Esperemos que a autoridade ponha cobro a semelhantes cenas. Assim como ontem  enviou um para a cadeia, deve continuar a proceder assim para ver se aquele largo fica limpo de tais garotos, que ali envergonham a terra ante estranho que presenceie e ouça os palavrões que eles soltam.
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"O Democratico", de 22 de Janeiro de 1928

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Revista da Imprensa Antiga (6)

IGREJA DE SANTA CLARA

Têm continuado as obras de restauro da Igreja de Santa Clara, e pena é que a verba orçamentada não permita que o número dos operários seja mais elevado. Actualmente está-se procedendo à cobertura da antiga "Casa do Capítulo" com o material que era da "Casa da Visitação" ou "dos Padres" que está quase destelhada completamente. Dentro da Igreja foi levantado o chão que era de pedra e substituído por outro, também de pedra, mas com a simetria necessária. Com a demolição da inútil "Casa dos Padres" ficará a Igreja com o seu belo exterior da parte Norte sem nada a encobri-lo, o qual, depois de reparado convenientemente, mais belezas arquitectónicas patenteará aos olhos dos visitantes.
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"O Democratico", de 6 de Fevereiro de 1931

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Revista da Imprensa Antiga (5)

RANCHOS

Considerando que é mister evitar a bordoada que por vezes tem estado prestes a desabar entre os a paniguados dos ranchos do Monte e da Praça;
Considerando que a União faz a força, como já diziam os bisavós dos avós dos nossos pais;
Considerando ainda que essa fórmula trará benefícios para Vila do Conde, porque a rivalidade neste caso, não dá nada, o Grupo Mangerical decreta em nome da Revolução dos Costumes:
1º Que os ranchos do Monte e da Praça faleçam e se enterrem juntos, colocando-se-lhes na campa uma cruz e o epitáfio seguinte: "Aqui jazem uns zaragateiros que só na morte se puderam unir. Perdoe-se-lhes o mal que fizeram pela intenção com que o faziam".
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"O Mangerico", de 14 de Julho de 1921

domingo, 7 de abril de 2013

Revista da Imprensa Antiga (4)

NA PROCISSÃO DO CORPO DE DEUS

Um episódio interessante.
Pouco depois de principiar a desfilar o cortejo, um dos  cavalos que formavam o estado-maior de S.Jorge espantou-se, empinou-se no ar, o que produziu grande susto entre o povo que formava alas. Uma confusão enorme; um sussurro espantoso; algumas mulheres caíram, outras fugiram. Por fim, o fogoso animal sossegou, e o povo voltou à sua natural serenidade, olhando demoradamente o S. Jorge, com aquele mesmo ar risonho com que o contemplou em todos os anos anteriores, quando ele igualmente empunhava a sua lança, de que o sol quente da primavera agonizante arranca vivíssimas cintilações.
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"Jornal de Villa do Conde", 2 de Junho de 1888

quinta-feira, 28 de março de 2013

Revista da Imprensa Antiga (3)

A FESTA DO RAIO

Na 2ª feira celebra-se o aniversário do raio, festividade de acção de graças, com exposição do Santíssimo Sacramento, todo o dia, na respectiva capela da Igreja Matriz, em comemoração do MILAGRE que, há poucos anos, manifestou Deus Nosso Senhor ao povo desta Vila, por ocasião de uma grande trovoada, em que caiu um raio dentro da mesma igreja, na ocasião cheia de povo, no número de muitas centenas, procurando a faísca eléctrica corpos menos condutores que o corpo humano, tais como pedra, vidro e madeira, que quebrou, o que foi uma excepção às leis da Natureza um milagre, sem que tocasse em pessoa alguma. Esta festa noticiamo-la nós todos os anos, e bem assim o motivo dela.
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"O Correio do Ave", 30 de Novembro de 1883.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Revista da Imprensa Antiga (2)

MANDAMENTOS DO LOJISTA

Se podes faz o negócio,
Sozinho, não queiras sócio,
Meias antigas ou modernas
São boas mas é pr'às pernas...
Freguês que queira fiado
Manda-o pr'a loja do lado.
Não fieis, que as mais das vezes,
Perdeis a massa e os fregueses.
Quando tenhas em casa algum  "mono",
Trata logo de o pôr com dono...
Se quiseres caixeiro honrado,
Não lhe roubes o ordenado.
Vai vigiando o pessoal,
Que "isto" está mal, está mal...
Se tens género avariado,
Deita-o fora, ou és multado.
Hoje todo o que negoceia
Pode ir com os ossos à cadeia...
Todo o comércio hoje se queixa
Que o comércio é ruim e não deixa,
Mas ao marcar o preço é preciso
Contar também com o prejuízo.
Por ora não está explícito
O que é ou não lucro lícito.
Se ganhas menos que a despesa,
Vais-te abaixo mais a empresa.
Ganhar pouco e vender muito
Nem sempre quadra ao nosso intuito.
Deves então, podendo, é claro,
Comprar barato e vender caro.
E pr'a dormir com mais descanso,
Deita a miúdo o teu balanço,
E quando vires a vida torta,
Muda o rumo e fecha a porta.

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"O Democratico",  11 de Janeiro de 1935

domingo, 24 de março de 2013

Revista da Imprensa Antiga (1)

Peças de coisa séria ou bem humorada que merecem a memória dos vivos.

IRMANDADE DE NOSSO SENHOR DE NÃO TE RALES

ESTATUTOS
Capítulo 1
Art. 1. A Irmandade sob a invocação de N.S. de Não te Rales (Associação Bairrista) é uma instituição de crítica permanente, com duração indefinida,  tendo a sua sede em Vila do Conde.
Art. 2. Os seus fins são:
a) criticar tudo quanto se fizer ou pretenda fazer que denote progresso ou benefício para Vila do Conde e seu concelho.
 b) distinguir as pessoas que, não fazendo nada pela sua terra, são as que mais falam e exigem que os outros façam.

Capítulo 2

Art. 4. É permitida a inscrição de irmãos residentes em qualquer localidade do Continente e do Ultramar, de um e outro sexo, sendo apenas condição ter nascido no concelho de Vila do Conde, e não querer saber da terra para nada.

Capítulo 7

Art. 15 Os locais de reunião são em qualquer dos estabelecimentos do comércio, do ramo de "Comes e Bebes", cujas instalações tenham todo o carácter de antiguidade, visto à Irmandade não convir ter sede própria, para não contribuir com mais um prédio nas avenidas onde abundam extensos quintais.

Capítulo 10

Art. 21 A Irmandade não se dissolve, porque, não sendo obrigada a prestar contas a ninguém, não tem nada a liquidar. § 1 se vierem a existir credores da Irmandade, não há que dar-lhes satisfações, portanto não se lhes paga, a fim de que por esta forma se obtenham sócios beneméritos, outros tantos descontentes contra mais uma obra dos vilacondenses.

Capítulo 11

Art. 22 O emblema da Irmandade é um caranguejo em metal, em forma de medalhão rodeado da legenda: "Progresso de Vila do Conde". § 1 o emblema deve ser usado com um laço de fita em seda vermelha dependurado ao pescoço, a fim de que não haja confusão entre os bons e maus vilacondenses.
Art. 23 As armas e timbre da Irmandade, bem como a sua bandeira são: dois braços em cruz e o caranguejo no alto, tudo rodeado da respectiva legenda.
                                                                            FIM.
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"O Democratico", 8 de Agosto de 1930 15 de Agosto de 1930