Quando a ergueram, e por via do lugar, chamaram-lhe Fonte da Praça Nova (1877), onde o povo ia buscar água. Era o tempo em que apareciam lampreias no canal do rio Ave, a descer de Santo Amaro, e o brasão de Vila do Conde estava esculpido em pedra, na margem da rua de D. Luís, ao fundo da rua das Donas. Na altura em que a rua da Misericórdia foi alargada, a Fonte passou para um largo, à entrada da rua dos Banhos, ao pé do Hospital (1878), e começaram a chamar-lhe Fonte da Misericórdia. Ali ficou, por quase um século, até ser transferida para junto dos Paços do Município (1975), ao lado Poente.
Mostrar mensagens com a etiqueta Património cultural em imagem. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Património cultural em imagem. Mostrar todas as mensagens
sábado, 1 de setembro de 2018
sábado, 5 de agosto de 2017
Património Cultural em Imagem (LI)
Os vários suspensores (como este) que na Matriz seguram candeeiros poderão ser artesanato reminiscente de cultos pagãos da antiga Roma (como opinava Rocha Peixoto, em 1902). É estranho que Mons. J. Augusto Ferreira não tenho dito nada sobre o assunto. Seguramente, foram peças que agradaram à mentalidade portuguesa do final do século XIX, tão atreita ao gosto decorativo de motivos chineses. Remontam, no entanto, a tempos mais recuados estes ganchos com forma de dragões, certamente "emblemas e figuras típicas que revelam a sua antiguidade" (O Ave, 9-VI-1892). E nada obsta aceitar que tenham chegado a Vila do Conde, na época quinhentista de Gaspar Manuel, para neles se pendurarem "lâmpadas e lampadários" (Livros da Imposição da Igreja Matriz, I, Dezembro de 1603).
domingo, 23 de abril de 2017
Património Cultural em Imagem (L)
Olhamos para o alçado Sul do edifício, e o que vemos, à direita, não são letras nem ferraduras. São o "motivo decorativo", cercado com "tubo néon luminescente" (como reza o Ofício do Câmara Municipal de Vila do Conde para a Inspecção-Geral dos Espectáculos, em 7 de Novembro de 1946), motivo que traduz a forma geométrica de 3 anfiteatros (assim se diz da sala e suas partes), os quais constituíam, então, a novidade do Cine-Teatro Neiva em relação à Esplanada da Misericórdia (com uma plateia) e do Teatro Afonso Sanches (com um plateia e uma ordem de camarotes). Ou seja: este Cine-Teatro, inaugurado em 1947, compreendia uma plateia e dois balcões que vinham oferecer as melhores condições de visualização aos assistentes de Teatro ou de Cinema (assistentes cuja figura estilizada se insinua em cada peça da ornamentação).
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Património Cultural em Imagem (XLIX)
É o coreto da Avenida Júlio Graça, que tem cobertura de telhado sobre colunas de cimento.Na solidez austera da construção, parece assinalar a silenciosa fortaleza da resistência. A esfera da cúpula e o contexto arquitetónico da vizinhança lembra como vão longe os tempos em que tinha estrutura metálica assente sobre plataforma de vária utilidade. Tal como era a do seu semelhante, na Praça de S. João, desaparecido de lá por não se lhe reconhecer serventia. Nos Anos 20 e 30 do século passado, era o coreto um templo de boa música que animava a época balnear e as festas grandes, com rapsódias, sinfonias e ritmos de passo doble, primorosamente executados pela Banda dos Bombeiros ou pela Banda do Reformatório, que alegravam o povo da terra e forasteiros.
domingo, 18 de agosto de 2013
Património Cultural em Imagem (XLVIII)
Veio lá de cima, de Santa Clara, o fontanário do século XVIII que havia sido desmantelado aquando dos trabalhos de restauro do Convento, sujeitos ao "vandalismo de empreiteiros broncos, que para aquela preciosa obra de arte tinham apenas uma grosseira educação de trolhas" (A Republica, de 31 de Março de 1928). Reconstruído na Praça de S. João (1932-1933), depois ladeado de painéis de azulejo, é memória em pedra do tempo em que, para ligação da Estrada Real ao Bairro Balnear, no prolongamento da Rua de S. João, se alargou a travessa (antiga Viela da Horta Grande) que dava para o Largo dos Artistas, deitando abaixo uma casa térrea da esquina onde apareceu o Café Nacional (1930). E não apareceu mais nada porque o arranjo urbanístico projetado, que passaria pela demolição das casas do quadrilátero que dali sobe até à Matriz, ficou para as calendas gregas.
domingo, 23 de junho de 2013
Património Cultural em Imagem (XLVII)
Nas últimas décadas do século XIX, a construção de chalets foi a melhor propaganda do bairro balnear que, desde então, crescia com a Rua dos Banhos (1865) ladeada de belas residências, mas também do Colégio Barbosa Gama (1890) e Hotel Avenida (1918). O palacete do comendador Joaquim Maria de Mello (a famosa Villa Josefina que, depois, seria de Bento d'Aguiar e do Conde de Riba d'Ave, até chegar, em data recente, à posse da Câmara Municipal) é testemunha dessa época que entra no século XX com grande entusiasmo pela afirmação turística da praia de Vila do Conde. Recorda os tempos de Bento de Freitas, Júlio Graça, Carlos Barbosa, José Menères e outros ilustres que fizeram grande a terra onde nasceram ou adoptaram como terra de seu coração.
domingo, 2 de junho de 2013
Património Cultural em Imagem (XLVI)
Na margem direita do rio Ave, no lugar do Pevido, a Norte da seca do bacalhau (de que restam vestígios de "mesas volantes"), estão as paredes da "chamada Casa do Risco, por ter sido nela que durante muitos anos se riscaram e fizeram as formas dos navios que saíam outrora do nosso tão falado estaleiro" (Commercio de Villa do Conde, 8 de Dezembro de 1907). E também servia de armazém onde se guardava o fiel amigo "em fresco e depois de seco". Ali encaixa, actualmente, o Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Património Cultural em Imagem (XLV)
Edifício do século XVIII, a Casa de Burgães, solar dos Carneiro Pizarro, extenso como a Rua da Costa, desde Santa Luzia à esquina que dá para o Largo do Tijolo, foi "uma das casas mais nobres e mais ricas, não só de Vila do Conde como do País" (dizia o comandante João dos Reis). Viria, depois, na roda do aziago destino, a albergar um Tribunal, uma Cadeia, uma Estação de Correios, e serviu de sede a uma Comissão de Moradores, até cair sem préstimo na lástima das portas fechadas e do interior vazio. Há-de vir, um dia, a obra de recuperação. Para que regresse a imagem da sua grandeza monumental. E para que se possa ver, finalmente, o quarto para onde apontava a Dona Beatriz, avó do senhor Pizarro Monteiro, a dizer que ali nascera o José Maria, filho do juiz Teixeira de Queiroz e de Carolina Pereira d'Eça que preferiu ficar incógnita.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Património Cultural em Imagem (XLIV)
É o Bairro Piscatório, como lhe chamaram no dia solene da inauguração (1 de Maio de 1944). Dava-se, então, um passo grande de progresso sobre o tempo em que as casas começaram por ser de madeira e alumiadas à luz da candeia (séc.XIX) e, depois, sem ruas ainda, se foram erguendo por entre dunas do areal. Já o Bairro não é o que era, quando ali entrou a família da São do Abel que foi a primeira dos habitantes. Mas ainda mantém, na geometria do espaço, na construção de pedra, nas portas e janelas da frente, aquela antiga tradição caxineira de "estreitas casas, alongadas em simétricas filas" (A Republica, de 25 de Dezembro de 1910). Passaram os anos, as coisas foram mudando. E dizem os vizinhos que cada um foi fazendo as obras como pôde...
sexta-feira, 22 de março de 2013
Património Cultural em Imagem (XLIII)
É a formosa igreja de S.Pedro de Formariz, nome da antiga vila coeva da villa de comite (século X), paróquia anexada, no ano de 1867, à de S.João Baptista de Vila do Conde. Agora, é templo de espaço bastante exíguo, mas já foi suficientemente amplo: como era no século XVIII, quando as quatro aldeias da terra somavam "catorze fogos e cinquenta e quatro pessoas de sacramento e dez menores" (rezam as Memórias Paroquiais de 1758). A brancura das paredes e os acrescentos de restauro dão-lhe um ar moderno. Todavia, o pequeno campanário da sineta e os elementos da frontaria indiciam arquitectura dos finais do século XVI. E vislumbra-se que a primeira construção (de que a nave única é vestígio) remonte a uma antiguidade mais funda.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Património Cultural em Imagem (XLII)
O espaço era tão acanhado que não dava para imagem perfeita e abrangente. Deu para ver uma parte do painel lindíssimo que o mestre Júlio Resende dedicou à glória de Vila do Conde. Esteve, desde 1965, no vestíbulo da casa do antigo Posto de Saúde da Caixa de Previdência que ficava na Avenida Figueiredo de Faria, a pouca distância da Estação de Caminho de Ferro. A obra de Arte, vitimada pela indiferença e pelo descuido, sofreu degradação, ano após ano. Pairava a ameaça de perda irreparável sobre a beleza tranquila das cores suaves que davam o encanto do retrato de Vila do Conde marítima e fluvial, terra de monumentos, fábricas, escolas, barcos, mercancia, operários e rendilheiras. Em boa hora, a Câmara Municipal mandou retirar os azulejos para, algum dia, recolocar o painel em lugar condigno.
NOTA: já se encontra nos Paços do Concelho (1 de Setembro de 2018).
domingo, 27 de janeiro de 2013
Património Cultural em Imagem (XLI)
No tempo das boticas, na Praça de S. João, com o carro americano a passar à porta, a Farmácia Faria era, à data da inauguração (Junho de 1911), "uma perfeita jóia d'arte". Assim saudava a Imprensa da época esta edificação "banhada de luz, presidindo a tudo o mais fino gosto artístico". Abria, então, a primeira farmácia do tempo da República, em cerimónia "festejada com um magnífico copo d'água". Mesmo ao lado, a fazer esquina com a Rua 5 de Outubro, erguia-se o famoso Hotel da Teresinha (de que só resta a boa memória).
sábado, 29 de dezembro de 2012
Património Cultural em Imagem (XL)
Dá-se a volta à Matriz, olhando para cima onde corre a cachorrada, e a atenção do observador detém-se nas gárgulas de curiosa escultura. Serviam para escoar a chuva, mas havia nelas outras intenções, e não só religiosas. Como a de testemunhar que o povo de Vila do Conde era patriota e virava para Castela o fundo das costas e o resto. É o que se vislumbra, à ponta Nordeste, no que ainda resta da gárgula que uns puritanos fanáticos e ignorantes do século XIX (1878) mandaram truncar, por acharem ser "afronta à moral pública" aquela imagem ingénua da posição ancestral defecante.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Património Cultural em Imagem (XXXIX)
É a estátua da Misericórdia que encima o frontão, ao centro da fachada do Hospital. E o emblema da Santa Casa decora-lhe o tímpano. Obra inaugurada a 6 de Dezembro de 1931, depois de muitos anos de trabalho e muita persistência de boas vontades, veio substituir o velho edifício de sóbria arquitetura, que Diogo Pereira, generoso galego do século XVII, havia mandado erguer, no mesmo lugar, para pousada, recolhimento e cura de pobres que, até então, só tinham um albergue miserável, à entrada da rua da Senra, para refrigério de enfermidades e sofrimento.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Património Cultural em Imagem (XXXVIII)
Anexo à Capela da Senhora da Guia, no alto da escada, com o oceano ao fundo, o Cruzeiro da Independência. É obra de 1940, ano em que o Regime do Estado Novo realizou as grandes celebrações centenárias da Fundação de Portugal (1140) e da Restauração (1640). O monumento é simples, quase rústico, mas foi inaugurado com alguma pompa e muito patriotismo das entidades oficiais e afins que, na época, eram o rosto concelhio da União Nacional.
sábado, 21 de julho de 2012
Património Cultural em Imagem (XXXVII)
Aqui houve uma fábrica de fiação e tecelagem, à beira do rio, na paisagem industrial que enquadrava a fonte de energia e o caminho de ferro, via de escoamento. Foi de nome Ferreira, mudou para Valfar e acabou Narfil, a fábrica da Estação (assim chamada). Era parque de máquinas em laboração, estrutura viva de operários, agitava os ares com o silvo da sirene, produzia para bom mercado. Resta a chaminé alta, canudo imenso arranhando o céu, testemunha do passado de progresso que se extinguiu, nos Anos 90, devorado pela adversidade dos tempos de crise e de um inglório destino.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Património Cultural em Imagem (XXXVI)
No Forte de S. João Baptista, construção militar do século XVII, que, na altura, se chamava de Nossa Senhora da Assunção, há um postigo virado ao mar, entre os baluartes de S. Francisco e de S. João. O arranjo recente que lhe fizeram não prejudica a figura da velha poterna, a que costumavam chamar, desde o tempo dos castelos medievais, a porta da traição. Assim se identificava a porta falsa que se abria na muralha das traseiras, por onde fugiam os sitiados, em caso de perigo extremo.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Património Cultural em Imagem (XXXV)
No tempo das vielas que davam para a Praça Velha, havia quintais e cortinhas que tinham entrada rústica com lintel adornado por uma imagem de santo. Entre os bem-aventurados da devoção vileira contava-se o Santo António. Aqui está, na travessa da Costeira, em nicho do século XVIII, uma pequena escultura de pedra que é belo exemplar dessa hagiografia doméstica. Vestígio de oragos de família, é também documento antigo da época em que, à frente, os muros altos vedavam o terreno do Palácio de Cristal dos Vilas-Boas.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Património Cultural em Imagem (XXXIV)

Na antiga Rua da Palha, ergue-se a Casa dos Coelhos que, ao tempo da Implantação da República, era estabelecimento de educação de meninas pobres, desde o último quartel do século XIX, chamado Colégio de S. José, das irmãs Doroteias. Assim se dava destino pedagógico à "morada de casas altas, de um andar nobre, com capela e seu campo de terra lavradia". Como ficou documentado no portão férreo que dá entrada pela parte Norte do edifício. Não tem o esplendor de outros que, pelo Concelho, guardam quintas e coutadas, mas é formoso na geometria da sua composição.
sábado, 10 de março de 2012
Património Cultural em Imagem (XXXIII)

Subimos da Meia Laranja, pela encosta do Monte, e aproximamo-nos da igreja de Nossa Senhora da Encarnação. O que chama o nosso olhar é a simplicidade dos ornamentos que, no alto, embelezam o exterior, ao correr da cornija. São merlões pequenos, com desenho de flor-de-lis, a convergir para os contrafortes esguios que, acima das gárgulas, vão culminar em pináculo de fogaréus. Nesta singeleza de arquitectura (ao gosto manuelino), reside o espírito franciscano.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















