sábado, 5 de agosto de 2017

Património Cultural em Imagem (LI)


Os vários suspensores (como este) que na Matriz seguram candeeiros poderão ser artesanato reminiscente de cultos pagãos da antiga Roma (como opinava Rocha Peixoto, em 1902). É estranho que Mons. J.  Augusto Ferreira não tenho dito nada sobre o assunto. Seguramente, foram peças que agradaram à mentalidade portuguesa do final do século XIX, tão atreita ao gosto decorativo de motivos chineses. Remontam, no entanto, a tempos mais recuados estes ganchos com forma de dragões, certamente "emblemas e figuras típicas que revelam a sua antiguidade" (O Ave, 9-VI-1892). E nada obsta aceitar que tenham chegado a Vila do Conde, na época quinhentista de Gaspar Manuel, para neles se pendurarem "lâmpadas e lampadários" (Livros da Imposição da Igreja Matriz, I, Dezembro de 1603).

sábado, 1 de julho de 2017

Memória das Ruas, Avenidas e Praças principais

Ar e sol são duas grandes necessidades para a actividade orgânica, para a vida. As ruas devem ser largas não só para atender à circulação crescente, mas e principalmente para que o ar n'ellas corra livremente, e para que o sol as possa bem assoalhar, evitando a humidade produzida pelas chuvas e nevoeiros.
                                                                                     O Villacondense, 26 de Abril de 1908


O TEMPO

1840 Arranjo urbano da Praça do Município
1846 Alargamento da Rua de Santo Amaro
1863 Abertura da Rua D. Luís I
1865 Abertura da Avenida Bento de Freitas
1867 Conclusão da Avenida Bento de Freitas
1872 Conclusão da Rua D. Luís I
1886 Abertura da Rua de Alto de Pega
           Abertura da Rua nº 1 das Caxinas
           Abertura da Rua do Pilado
1888 Estrada das Caxinas à Av. Bento de Freitas
1889 Abertura da Rua de Eduardo Coelho
1890 Avenida Júlio Graça
1891 Rua das Caxinas à Poça da Barca (projeto)
1893 Passeios da Rua Nova
1894 Calcetamento da Rua dos Prazeres
1897 Avenida Figueiredo de Faria (antiga Rua da Estação)
1900 - Praça Vasco da Gama (antiga Praça Nova)
          Acabamento da Avenida Campos Henriques (antiga Rua das Hortas)
1901 Avenida Bernardino Machado
1902 Rua Conde D.Mendo.
           Praça Hintze Ribeiro (antigo Campo da Feira ou Terreiro)
1903 Rua General Lemos (antiga Rua Tenente Valadim)
            Rua do Lidador (antiga Rua Nova)
1906 Calcetamento da Rua de S.João
1908 Calcetamento da Rua da Lapa
1909 Rua entre Caxinas e Santa Luzia
           Calcetamento da Rua de Santo Amaro
1910 Abertura da Avenida do Brasil
           Rua 5 de Outubro (antiga Rua D. Luís I)
           Praça da República (antiga Praça Hintze Ribeiro)
1912 Calcetamento da Rua de S. Bento
1913 Alargamento da Rua de S. João
1914 Terraplanagem da estrada entre a Vila e Caxinas
1917 Acabamento da Rua Eduardo Coelho
1918 Terraplanagem da Avenida Júlio Graça (parte Sul)
1924 Avenida Sá da Bandeira (antiga Avenida à Beira-Rio)
1928 Prolongamento da Rua da Alegria (Poça da Barca)
1930 Arranque da Rua de S. João
           Rua Dr. Elias de Aguiar (antiga Rua do Cidral)
1932 Reparação da Rua 5 de Outubro
           Prolongamento da Avenida do Brasil (para Sul)
           Nivelamento do piso da Avenida Sacadura Cabral
           Avenida Coronel Alberto Graça (antiga Rua Eduardo Coelho)
1934 Rua 5 de Outubro (pavimentação a cubos)
           Largo 28 de Maio (antigo Largo dos Artistas)
           Largo António José da Almeida (antigo Largo da Misericórdia)
           Aterro  do lago da Avenida Júlio Graça
1936 Extinção do Largo dos Pelames
           Melhoramento da Avenida Figueiredo de Faria
1938 Abertura da Rua Nun'Álvares Pereira
           Terraplanagem da Avenida Júlio Graça
1941 Novo arranjo da Avenida Júlio Graça
           Alargamento e alinhamento da Rua 5 de Outubro
           Regularização e ajardinamento da Praça de S.João
1942 Pavimentação a betonilha da Rua Barão do Rio Ave
1943 Novo lajeado na Rua da Igreja
1948 Ajardinamento da Praça da República
           Arranque da Avenida da Beira-Mar
1950 Pavimentação da Avenida Sá da Bandeira
           Pavimentação a asfalto da Avenida do Brasil
           Embelezamento da Praça Vasco da Gama
1951 Pavimentação da Avenida Coronel Alberto Graça
           Pavimentação da Avenida Sacadura Cabral
1952 Pavimentação a cubos da Rua da Misericórdia
1953 Arruamento de "A Mundial"
1956 Pavimentação da Rua 5 de Outubro
           Pavimentação da Rua Joaquim Maria de Melo
           Pavimentação da Avenida Figueiredo de Faria (em parte)
1958  Reparação da Rua nº1 da Poça da Barca
           Pavimentação da cubos da Avenida Bento de Freitas
1960 Avenida "A Mundial"
            Avenida D. António Bento Martins Júnior (antiga Avenida das Caxinas)
1962 Abertura de arruamentos nas Caxinas
1964 Rua Manuel Santos Vila Cova (Patrão Caramelho)
           Asfaltamento da Avenida Marginal (antiga Avenida à Beira-Mar)
1965 Avenida Dr.Carlos Pinto Ferreira (antiga Rua nº 1 das Caxinas)
           Rua Capitão Carlos da Fonseca
1968 Conclusão da Avenida Baltasar do Couto
           Avenida Coutinho Lanhoso
           Rua Alfredo Bastos (antiga Rua nº 1 da Poça da Barca)
           Avenida Infante D. Henrique (antiga Avenida Marginal)
           Rua do Alto de Pega
1970 Avenida Cidade de Guimarães (antiga Rua das Escolas)
1973 Avenida do Ferrol (antiga Avenida "A Mundial")
1974 Largo dos Artistas (antigo Largo 28 de Maio)
           Rua 25 de Abril (antiga Rua Barão do Rio Ave)
           Avenida José Régio (antiga Avenida Campos Henriques)
1985 Rua Dr. António Sousa Pereira
           Praça Luís de Camões
1993 Alameda dos Descobrimentos
1997 Rua Rainha Dona Leonor
1999 Inauguração das Rotundas
           Arranjo da Praça Vasco da Gama
2000 Arranjo do Largo dos Artistas
2001 Praça D. João II
2005 Acabamento da Praça José Régio
2007 Avenida da Liberdade


O ESPAÇO



domingo, 23 de abril de 2017

Património Cultural em Imagem (L)


Olhamos para o alçado Sul do edifício, e o que vemos, à direita,  não são letras nem ferraduras. São o "motivo decorativo", cercado com "tubo néon luminescente" (como reza o Ofício do Câmara Municipal de Vila do Conde para a Inspecção-Geral dos Espectáculos, em 7 de Novembro de 1946), motivo que  traduz a forma geométrica de 3 anfiteatros (assim se diz da sala e suas partes), os quais  constituíam, então, a novidade do Cine-Teatro Neiva  em relação à Esplanada da Misericórdia (com uma plateia) e do Teatro Afonso Sanches (com um plateia e uma ordem de camarotes). Ou seja: este Cine-Teatro, inaugurado em 1947, compreendia uma plateia e dois balcões que vinham oferecer  as melhores condições de visualização aos assistentes de Teatro ou de Cinema (assistentes cuja figura estilizada se insinua em cada peça da ornamentação).

domingo, 4 de dezembro de 2016

Revista da Imprensa Antiga (16)

UM AMONTOADO DE RUAS TORTAS E VELHAS

... dissemos que Vila do Conde era, desde o Largo dos Artistas até à Praia, uma coisa linda e admirável, apesar ainda da sua falta de habitações. (...) Só quando estiver completamente construída com novas avenidas e ruas transversais de acesso de umas às outras, é que será o que deve ser!... E então Vila do Conde  poderá orgulhar-se de ser uma terra moderna, grande, limpa, airosa e bela, como poucas. Porque - digamos  com franqueza - Vila do Conde antiga não passa, na sua maior parte, dum amontoado de ruas tortas e velhas, com um aspecto triste e impressionante, e até mesmo detestável, algumas, como por exemplo: Rua do Socorro, Rua de Fraga, Rua da Costa ... e mesmo a Rua da Igreja!... E só muito tarde ou nunca! elas poderão ser esteticamente corrigidas...
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"O Democratico", de 7 de Outubro de 1932

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

HISTORIAL 2013

RELAÇÃO DAS ACTIVIDADES SÓCIO-CULTURAIS
REALIZADAS PELO ATENEU, NO ANO DE 2013

1. ASSEMBLEIA GERAL
6 de Fevereiro

No Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vila do Conde, para apreciação do Relatório de Contas de Gerência de 2012, e avaliação das actividades sócio-culturais levadas a cabo, ao longo do mesmo ano.

2. VISITA À ESTAÇÃO AQUÍCOLA
25 de Maio

Na companhia do nosso associado Carlos Manuel Andrade, assistente técnico da instituição, foi uma oportunidade preciosa de entender a história rica e relevante da Estação Aquícola de Vila do Conde, na piscicultura e repovoamento de rios, conhecer o seu espólio inestimável, e também de sentir o contraste da sua desactivação, no tempo presente. Como foi momento para reflectir e avaliar as potencialidades da sua recuperação.

3. A ROTA DOS SOLARES
12 de Outubro

 

Tendo o Dr. Francisco de Vasconcelos por guia, decorreu o itinerário pelas mansões palacianas dos séculos XVII e XVIII. A digressão começou em frente da Casa dos Vasconcelos, que já pertenceu à família ilustre de que descende o nosso associado. Seguiu, dali até ao Largo de S. Sebastião, com oportunos momentos de clara explicação histórica, junto a cada frontaria e seu brasão que documentam tempos idos de glória e fidalguia de Vila do Conde. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Património Cultural em Imagem (XLIX)


É o coreto da Avenida Júlio Graça, que tem cobertura de telhado sobre colunas de cimento.Na solidez  austera da construção, parece assinalar a silenciosa fortaleza da resistência. A esfera da cúpula e o contexto arquitetónico da vizinhança lembra como vão longe os tempos em que tinha estrutura metálica assente sobre plataforma de vária utilidade. Tal como era a do seu semelhante, na Praça de S. João, desaparecido de lá por não se lhe reconhecer serventia. Nos Anos 20 e 30 do século passado, era o coreto um templo de boa música que animava a época balnear e as festas grandes, com rapsódias, sinfonias e ritmos de passo doble, primorosamente executados pela Banda dos Bombeiros ou pela Banda do Reformatório, que alegravam o povo da terra e forasteiros.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Revista da Imprensa Antiga (15)

ESTALEIROS

Não se pode actualmente fazer uma ideia, sequer aproximada do movimento e actividade que isso imprimia a esta Vila o seu estaleiro, no tempo em que toda a margem do Ave, desde a Alfândega até ao Cais das Lavandeiras, era insuficiente para se erguerem as quilhas dos navios em construção e contratados para construir.
Não era só aos carpinteiros da ribeira que o estaleiro dava trabalho. Os ferreiros, os calafates, polieiros, cordoeiros, entalhadores e muitos outros artífices, tinham ali  durante o ano trabalho remunerador.
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"Commercio de Villa do Conde", de 3 de Maio de 1908