domingo, 4 de dezembro de 2016

Revista da Imprensa Antiga (16)

UM AMONTOADO DE RUAS TORTAS E VELHAS

... dissemos que Vila do Conde era, desde o Largo dos Artistas até à Praia, uma coisa linda e admirável, apesar ainda da sua falta de habitações. (...) Só quando estiver completamente construída com novas avenidas e ruas transversais de acesso de umas às outras, é que será o que deve ser!... E então Vila do Conde  poderá orgulhar-se de ser uma terra moderna, grande, limpa, airosa e bela, como poucas. Porque - digamos  com franqueza - Vila do Conde antiga não passa, na sua maior parte, dum amontoado de ruas tortas e velhas, com um aspecto triste e impressionante, e até mesmo detestável, algumas, como por exemplo: Rua do Socorro, Rua de Fraga, Rua da Costa ... e mesmo a Rua da Igreja!... E só muito tarde ou nunca! elas poderão ser esteticamente corrigidas...
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"O Democratico", de 7 de Outubro de 1932

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

HISTORIAL 2013

RELAÇÃO DAS ACTIVIDADES SÓCIO-CULTURAIS
REALIZADAS PELO ATENEU, NO ANO DE 2013

1. ASSEMBLEIA GERAL
6 de Fevereiro

No Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vila do Conde, para apreciação do Relatório de Contas de Gerência de 2012, e avaliação das actividades sócio-culturais levadas a cabo, ao longo do mesmo ano.

2. VISITA À ESTAÇÃO AQUÍCOLA
25 de Maio

Na companhia do nosso associado Carlos Manuel Andrade, assistente técnico da instituição, foi uma oportunidade preciosa de entender a história rica e relevante da Estação Aquícola de Vila do Conde, na piscicultura e repovoamento de rios, conhecer o seu espólio inestimável, e também de sentir o contraste da sua desactivação, no tempo presente. Como foi momento para reflectir e avaliar as potencialidades da sua recuperação.

3. A ROTA DOS SOLARES
12 de Outubro

 

Tendo o Dr. Francisco de Vasconcelos por guia, decorreu o itinerário pelas mansões palacianas dos séculos XVII e XVIII. A digressão começou em frente da Casa dos Vasconcelos, que já pertenceu à família ilustre de que descende o nosso associado. Seguiu, dali até ao Largo de S. Sebastião, com oportunos momentos de clara explicação histórica, junto a cada frontaria e seu brasão que documentam tempos idos de glória e fidalguia de Vila do Conde. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Património Cultural em Imagem (XLIX)


É o coreto da Avenida Júlio Graça, que tem cobertura de telhado sobre colunas de cimento.Na solidez  austera da construção, parece assinalar a silenciosa fortaleza da resistência. A esfera da cúpula e o contexto arquitetónico da vizinhança lembra como vão longe os tempos em que tinha estrutura metálica assente sobre plataforma de vária utilidade. Tal como era a do seu semelhante, na Praça de S. João, desaparecido de lá por não se lhe reconhecer serventia. Nos Anos 20 e 30 do século passado, era o coreto um templo de boa música que animava a época balnear e as festas grandes, com rapsódias, sinfonias e ritmos de passo doble, primorosamente executados pela Banda dos Bombeiros ou pela Banda do Reformatório, que alegravam o povo da terra e forasteiros.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Revista da Imprensa Antiga (15)

ESTALEIROS

Não se pode actualmente fazer uma ideia, sequer aproximada do movimento e actividade que isso imprimia a esta Vila o seu estaleiro, no tempo em que toda a margem do Ave, desde a Alfândega até ao Cais das Lavandeiras, era insuficiente para se erguerem as quilhas dos navios em construção e contratados para construir.
Não era só aos carpinteiros da ribeira que o estaleiro dava trabalho. Os ferreiros, os calafates, polieiros, cordoeiros, entalhadores e muitos outros artífices, tinham ali  durante o ano trabalho remunerador.
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"Commercio de Villa do Conde", de 3 de Maio de 1908

domingo, 29 de setembro de 2013

Revista da Imprensa Antiga (14)

CÍRCULO  INFERNAL

Quanto menos se ganha, menos se gasta;
Quanto menos se gasta, menos se compra;
Quanto menos se compra, menos se encomenda;
Quanto menos se encomenda, menos se fabrica;
Quanto menos se fabrica, menos se ganha;
Quanto menos se ganha, menos se gasta.
Eis o círculo infernal em que estão metidos os consumidores do mundo inteiro, e do qual não poderão sair enquanto se persistir em reduzir-lhes o poder de compra.
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"O Democratico", de 21 de Junho de 1935

domingo, 18 de agosto de 2013

Património Cultural em Imagem (XLVIII)


Veio lá de cima, de Santa Clara, o fontanário do século XVIII que havia sido desmantelado aquando dos trabalhos de restauro do Convento, sujeitos ao "vandalismo de empreiteiros broncos, que para aquela preciosa obra de arte tinham apenas uma grosseira educação de trolhas" (A Republica, de 31 de Março de 1928). Reconstruído na Praça de S. João (1932-1933), depois ladeado de painéis de azulejo, é memória em pedra do tempo em que, para ligação da Estrada Real ao Bairro Balnear, no prolongamento da Rua de S. João, se alargou a travessa (antiga Viela da Horta Grande) que dava para o Largo dos Artistas, deitando abaixo uma casa térrea da esquina onde apareceu o Café Nacional (1930). E não apareceu mais nada porque o arranjo urbanístico projetado, que passaria pela demolição das casas do quadrilátero que dali sobe até à Matriz, ficou para as calendas gregas.

domingo, 4 de agosto de 2013

Revista da Imprensa Antiga (13)

INTEGRIDADE CONCELHIA

Alguns jornais da Póvoa de Varzim aproveitam o ensejo da apresentação d'um projecto de lei que anexa ao concelho do Porto várias freguesias do antigo concelho de Matosinhos, para falarem na conveniência de se anexarem agora ao concelho vizinho o lugar da Poça da Barca e as freguesias aquém do Ave. Há poucos anos, quis fazer-se essa anexação à má-cara, e anunciou-se até para breve, com muitas prosápias e roncarias, que afinal se foram aquietando e sumindo, depois de várias peripécias interessantes que não esquecemos... Agora lembra-se uma anexação à boa-paz, por um entendimento, um ajuste, uma combinação, visto como seria fácil dar-nos, em troca do que perderíamos, a compensação de algumas freguesias novas. Muito à boa-paz também diremos que é melhor não pensar em tal, porque em negócios  d'essa natureza não entrará a gente de Vila do Conde, que não quer mais do que o que tem, mas que também não se resignará facilmente a ficar com menos do que aquilo que possui ou a trocar por terras novas as suas velhas freguesias...
Deixemos pois esquecida essa velha questão deplorável. Cada um em sua casa e cada um com o que tem.
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"A Republica", de 15 de Julho de 1917