É o coreto da Avenida Júlio Graça, que tem cobertura de telhado sobre colunas de cimento.Na solidez austera da construção, parece assinalar a silenciosa fortaleza da resistência. A esfera da cúpula e o contexto arquitetónico da vizinhança lembra como vão longe os tempos em que tinha estrutura metálica assente sobre plataforma de vária utilidade. Tal como era a do seu semelhante, na Praça de S. João, desaparecido de lá por não se lhe reconhecer serventia. Nos Anos 20 e 30 do século passado, era o coreto um templo de boa música que animava a época balnear e as festas grandes, com rapsódias, sinfonias e ritmos de passo doble, primorosamente executados pela Banda dos Bombeiros ou pela Banda do Reformatório, que alegravam o povo da terra e forasteiros.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Revista da Imprensa Antiga (15)
ESTALEIROS
"Commercio de Villa do Conde", de 3 de Maio de 1908
Não se pode actualmente fazer uma ideia, sequer aproximada do movimento e actividade que isso imprimia a esta Vila o seu estaleiro, no tempo em que toda a margem do Ave, desde a Alfândega até ao Cais das Lavandeiras, era insuficiente para se erguerem as quilhas dos navios em construção e contratados para construir.
Não era só aos carpinteiros da ribeira que o estaleiro dava trabalho. Os ferreiros, os calafates, polieiros, cordoeiros, entalhadores e muitos outros artífices, tinham ali durante o ano trabalho remunerador.
________________________"Commercio de Villa do Conde", de 3 de Maio de 1908
domingo, 29 de setembro de 2013
Revista da Imprensa Antiga (14)
CÍRCULO INFERNAL
Quanto menos se ganha, menos se gasta;
Quanto menos se gasta, menos se compra;
Quanto menos se compra, menos se encomenda;
Quanto menos se encomenda, menos se fabrica;
Quanto menos se fabrica, menos se ganha;
Quanto menos se ganha, menos se gasta.
Eis o círculo infernal em que estão metidos os consumidores do mundo inteiro, e do qual não poderão sair enquanto se persistir em reduzir-lhes o poder de compra.
____________________________
"O Democratico", de 21 de Junho de 1935
Quanto menos se ganha, menos se gasta;
Quanto menos se gasta, menos se compra;
Quanto menos se compra, menos se encomenda;
Quanto menos se encomenda, menos se fabrica;
Quanto menos se fabrica, menos se ganha;
Quanto menos se ganha, menos se gasta.
Eis o círculo infernal em que estão metidos os consumidores do mundo inteiro, e do qual não poderão sair enquanto se persistir em reduzir-lhes o poder de compra.
____________________________
"O Democratico", de 21 de Junho de 1935
domingo, 18 de agosto de 2013
Património Cultural em Imagem (XLVIII)
Veio lá de cima, de Santa Clara, o fontanário do século XVIII que havia sido desmantelado aquando dos trabalhos de restauro do Convento, sujeitos ao "vandalismo de empreiteiros broncos, que para aquela preciosa obra de arte tinham apenas uma grosseira educação de trolhas" (A Republica, de 31 de Março de 1928). Reconstruído na Praça de S. João (1932-1933), depois ladeado de painéis de azulejo, é memória em pedra do tempo em que, para ligação da Estrada Real ao Bairro Balnear, no prolongamento da Rua de S. João, se alargou a travessa (antiga Viela da Horta Grande) que dava para o Largo dos Artistas, deitando abaixo uma casa térrea da esquina onde apareceu o Café Nacional (1930). E não apareceu mais nada porque o arranjo urbanístico projetado, que passaria pela demolição das casas do quadrilátero que dali sobe até à Matriz, ficou para as calendas gregas.
domingo, 4 de agosto de 2013
Revista da Imprensa Antiga (13)
INTEGRIDADE CONCELHIA
_______________________________
"A Republica", de 15 de Julho de 1917
Alguns jornais da Póvoa de Varzim aproveitam o ensejo da apresentação d'um projecto de lei que anexa ao concelho do Porto várias freguesias do antigo concelho de Matosinhos, para falarem na conveniência de se anexarem agora ao concelho vizinho o lugar da Poça da Barca e as freguesias aquém do Ave. Há poucos anos, quis fazer-se essa anexação à má-cara, e anunciou-se até para breve, com muitas prosápias e roncarias, que afinal se foram aquietando e sumindo, depois de várias peripécias interessantes que não esquecemos... Agora lembra-se uma anexação à boa-paz, por um entendimento, um ajuste, uma combinação, visto como seria fácil dar-nos, em troca do que perderíamos, a compensação de algumas freguesias novas. Muito à boa-paz também diremos que é melhor não pensar em tal, porque em negócios d'essa natureza não entrará a gente de Vila do Conde, que não quer mais do que o que tem, mas que também não se resignará facilmente a ficar com menos do que aquilo que possui ou a trocar por terras novas as suas velhas freguesias...
Deixemos pois esquecida essa velha questão deplorável. Cada um em sua casa e cada um com o que tem._______________________________
"A Republica", de 15 de Julho de 1917
Revista da Imprensa Antiga (12)
PROCISSÃO DO CORPUS CHRISTI
_______________________________
"O Correio do Ave", de 11 de Julho de 1915
E a 3 de Junho, Vila do Conde festejou o Corpus Christi, aquela antiquíssima procissão que outrora revestia uma solenidade imponente, com o S. Jorge a cavalo e guarda de honra militar a darem mais imponência ao acto. Atrás iam os camaristas todos anchos, enfaixados, as autoridades com toda a garbosidade, os clubs, os condecorados... a gente grada da terra... os grandes senhores do burgo... e, por último, os empregados menores, como modestos e leais servidores... e, em vez da militança, lá tínhamos os bombeiros – soldados também, mas da paz – a fazerem guarda de honra.
Antes que a procissão saísse, resolvemos dar uma vista d'olhos pelas ruas vistosas e artisticamente enfeitadas e tapetadas de flores._______________________________
"O Correio do Ave", de 11 de Julho de 1915
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Revista da Imprensa Antiga (11)
COMETA HALLEY
"O Villacondense", de 28 de Maio de 1910
Na noite de 18 para 19, principalmente das 2 para as 3 horas da madrugada, as ruas e pontos altos de Lisboa ofereceram um espectáculo curioso. Elevadíssimo número de pessoas, que mais aumentou depois dos espectáculos terminarem, os quais estiveram bastante concorridos, passeavam d'umas para outras ruas, dirigindo-se na maior parte para os pontos de maior elevação, a fim de verem e observarem o cometa de Halley, o famoso astro errante que, segundo se dizia entre as classes menos cultas, vinha na sua trajectória fazer o Mundo em fanicos. O mais curioso é que muitas pessoas, famílias inteiras, saíram de suas casas sobraçando farnéis e borrachas com vinho para...esperarem o momento crítico de terminar o Mundo comendo e bebendo. É porque queriam marchar deste para melhor com a barriga cheia... Querem saber o que sucedeu ? Depois da uma hora da madrugada caiu uma formidável bátega d'água e os curiosos que esperavam ver o cometa encontraram-se molhados, escorrendo água, fugindo em debandada para suas casas. O pagode naquela ocasião foi admirável. Cada qual o que procurava era chegar primeiro a casa, maldizendo a hora em que haviam saído para observarem o cometa.
___________________________"O Villacondense", de 28 de Maio de 1910
Subscrever:
Mensagens (Atom)
