domingo, 29 de setembro de 2013

Revista da Imprensa Antiga (14)

CÍRCULO  INFERNAL

Quanto menos se ganha, menos se gasta;
Quanto menos se gasta, menos se compra;
Quanto menos se compra, menos se encomenda;
Quanto menos se encomenda, menos se fabrica;
Quanto menos se fabrica, menos se ganha;
Quanto menos se ganha, menos se gasta.
Eis o círculo infernal em que estão metidos os consumidores do mundo inteiro, e do qual não poderão sair enquanto se persistir em reduzir-lhes o poder de compra.
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"O Democratico", de 21 de Junho de 1935

domingo, 18 de agosto de 2013

Património Cultural em Imagem (XLVIII)


Veio lá de cima, de Santa Clara, o fontanário do século XVIII que havia sido desmantelado aquando dos trabalhos de restauro do Convento, sujeitos ao "vandalismo de empreiteiros broncos, que para aquela preciosa obra de arte tinham apenas uma grosseira educação de trolhas" (A Republica, de 31 de Março de 1928). Reconstruído na Praça de S. João (1932-1933), depois ladeado de painéis de azulejo, é memória em pedra do tempo em que, para ligação da Estrada Real ao Bairro Balnear, no prolongamento da Rua de S. João, se alargou a travessa (antiga Viela da Horta Grande) que dava para o Largo dos Artistas, deitando abaixo uma casa térrea da esquina onde apareceu o Café Nacional (1930). E não apareceu mais nada porque o arranjo urbanístico projetado, que passaria pela demolição das casas do quadrilátero que dali sobe até à Matriz, ficou para as calendas gregas.

domingo, 4 de agosto de 2013

Revista da Imprensa Antiga (13)

INTEGRIDADE CONCELHIA

Alguns jornais da Póvoa de Varzim aproveitam o ensejo da apresentação d'um projecto de lei que anexa ao concelho do Porto várias freguesias do antigo concelho de Matosinhos, para falarem na conveniência de se anexarem agora ao concelho vizinho o lugar da Poça da Barca e as freguesias aquém do Ave. Há poucos anos, quis fazer-se essa anexação à má-cara, e anunciou-se até para breve, com muitas prosápias e roncarias, que afinal se foram aquietando e sumindo, depois de várias peripécias interessantes que não esquecemos... Agora lembra-se uma anexação à boa-paz, por um entendimento, um ajuste, uma combinação, visto como seria fácil dar-nos, em troca do que perderíamos, a compensação de algumas freguesias novas. Muito à boa-paz também diremos que é melhor não pensar em tal, porque em negócios  d'essa natureza não entrará a gente de Vila do Conde, que não quer mais do que o que tem, mas que também não se resignará facilmente a ficar com menos do que aquilo que possui ou a trocar por terras novas as suas velhas freguesias...
Deixemos pois esquecida essa velha questão deplorável. Cada um em sua casa e cada um com o que tem.
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"A Republica", de 15 de Julho de 1917

Revista da Imprensa Antiga (12)

PROCISSÃO DO CORPUS CHRISTI

E a 3 de Junho, Vila do Conde festejou o Corpus Christi, aquela antiquíssima procissão que outrora revestia uma solenidade imponente, com o S. Jorge a cavalo e guarda de honra militar a darem mais imponência ao acto. Atrás iam os camaristas todos anchos, enfaixados, as autoridades com toda a garbosidade, os clubs, os condecorados... a gente grada da terra... os grandes senhores do burgo... e, por último, os empregados menores, como modestos e leais servidores... e, em vez da militança, lá tínhamos os bombeiros soldados  também, mas da paz a fazerem guarda de honra.
Antes que a procissão saísse, resolvemos dar uma vista d'olhos pelas ruas vistosas e artisticamente enfeitadas e tapetadas de flores.
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"O Correio do Ave", de 11 de Julho de 1915

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Revista da Imprensa Antiga (11)

COMETA HALLEY

Na noite de 18 para 19, principalmente das 2 para as 3 horas da madrugada, as ruas e pontos altos de Lisboa ofereceram um espectáculo curioso. Elevadíssimo número de pessoas, que mais aumentou depois dos espectáculos terminarem, os quais estiveram bastante concorridos, passeavam d'umas para outras ruas, dirigindo-se na maior parte para os pontos de maior elevação, a fim de verem e observarem o cometa de Halley, o famoso astro errante que, segundo se dizia entre as classes menos cultas, vinha na sua trajectória fazer o Mundo em fanicos. O mais curioso é que muitas pessoas, famílias inteiras, saíram de suas casas sobraçando farnéis e borrachas com vinho para...esperarem  o momento crítico de terminar o Mundo comendo e bebendo. É porque queriam marchar deste para melhor com a barriga cheia... Querem saber o que sucedeu ? Depois da uma hora da madrugada caiu uma formidável bátega d'água e os curiosos que esperavam ver o cometa encontraram-se molhados, escorrendo água, fugindo em debandada para suas casas. O pagode naquela ocasião foi admirável. Cada qual o que procurava era chegar primeiro a casa, maldizendo a hora em que haviam saído para observarem o cometa.
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"O Villacondense", de 28 de Maio de 1910

domingo, 23 de junho de 2013

Revista da Imprensa Antiga (10)

UMA AVENIDA CENTRAL...

Há muitos anos já que o povo vilacondense, num acordo quasi unânime de opiniões, vem reclamando, como medida de interesse público, indispensável e instante, e, principalmente, como imperioso benefício ao necessário embelezamento da nossa terra, a expropriação ou, talvez melhor, a aquisição pela Câmara de todos os prédios e terreno que constituem o quarteirão delimitado ao Norte pela Igreja Matriz, ao Sul pela Rua Barão do Rio Ave, ao Nascente pela Praça de S.João e ao Poente pela Rua da Igreja...
Concentrai por momentos o vosso espírito e reflecti. Sem um grande esforço de imaginação, podereis ver o que terá de grandioso, de imponente, de singularmente belo a futura Avenida Central de Vila do Conde ! Ajardinai-a, aformoseai-a com arte, concedei-lhe um especial carinho, dai-lhe vida e cor, e tereis ante os vossos olhos, estáticos, um dos mais lindos recreios das terras de Portugal. É que a seu lado, sobranceiro, ergue-se altivamente o nosso mais nobre monumento a Igreja Matriz suprema maravilha de arquitectura manuelina que, uma vez desafogado e liberto, se revela aos nossos olhos, presos de encantamento, em toda a sua pujante e esplendorosa magnificência.
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"O Democratico", de 10 de Março de 1928

Património Cultural em Imagem (XLVII)


Nas últimas décadas do século XIX, a construção de chalets foi a melhor propaganda do bairro balnear que, desde então, crescia com a Rua dos Banhos (1865) ladeada de belas residências, mas também do Colégio Barbosa Gama (1890) e Hotel Avenida (1918).  O palacete do comendador Joaquim Maria de Mello (a famosa Villa Josefina que, depois, seria de Bento d'Aguiar e do Conde de Riba d'Ave, até chegar, em data recente, à posse da Câmara Municipal) é testemunha dessa época que entra no século XX com grande entusiasmo pela afirmação turística da  praia de Vila do Conde. Recorda os tempos de Bento de Freitas, Júlio Graça, Carlos Barbosa, José Menères e outros ilustres que fizeram grande a terra onde nasceram ou adoptaram como terra de seu coração.