domingo, 4 de agosto de 2013

Revista da Imprensa Antiga (12)

PROCISSÃO DO CORPUS CHRISTI

E a 3 de Junho, Vila do Conde festejou o Corpus Christi, aquela antiquíssima procissão que outrora revestia uma solenidade imponente, com o S. Jorge a cavalo e guarda de honra militar a darem mais imponência ao acto. Atrás iam os camaristas todos anchos, enfaixados, as autoridades com toda a garbosidade, os clubs, os condecorados... a gente grada da terra... os grandes senhores do burgo... e, por último, os empregados menores, como modestos e leais servidores... e, em vez da militança, lá tínhamos os bombeiros soldados  também, mas da paz a fazerem guarda de honra.
Antes que a procissão saísse, resolvemos dar uma vista d'olhos pelas ruas vistosas e artisticamente enfeitadas e tapetadas de flores.
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"O Correio do Ave", de 11 de Julho de 1915

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Revista da Imprensa Antiga (11)

COMETA HALLEY

Na noite de 18 para 19, principalmente das 2 para as 3 horas da madrugada, as ruas e pontos altos de Lisboa ofereceram um espectáculo curioso. Elevadíssimo número de pessoas, que mais aumentou depois dos espectáculos terminarem, os quais estiveram bastante concorridos, passeavam d'umas para outras ruas, dirigindo-se na maior parte para os pontos de maior elevação, a fim de verem e observarem o cometa de Halley, o famoso astro errante que, segundo se dizia entre as classes menos cultas, vinha na sua trajectória fazer o Mundo em fanicos. O mais curioso é que muitas pessoas, famílias inteiras, saíram de suas casas sobraçando farnéis e borrachas com vinho para...esperarem  o momento crítico de terminar o Mundo comendo e bebendo. É porque queriam marchar deste para melhor com a barriga cheia... Querem saber o que sucedeu ? Depois da uma hora da madrugada caiu uma formidável bátega d'água e os curiosos que esperavam ver o cometa encontraram-se molhados, escorrendo água, fugindo em debandada para suas casas. O pagode naquela ocasião foi admirável. Cada qual o que procurava era chegar primeiro a casa, maldizendo a hora em que haviam saído para observarem o cometa.
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"O Villacondense", de 28 de Maio de 1910

domingo, 23 de junho de 2013

Revista da Imprensa Antiga (10)

UMA AVENIDA CENTRAL...

Há muitos anos já que o povo vilacondense, num acordo quasi unânime de opiniões, vem reclamando, como medida de interesse público, indispensável e instante, e, principalmente, como imperioso benefício ao necessário embelezamento da nossa terra, a expropriação ou, talvez melhor, a aquisição pela Câmara de todos os prédios e terreno que constituem o quarteirão delimitado ao Norte pela Igreja Matriz, ao Sul pela Rua Barão do Rio Ave, ao Nascente pela Praça de S.João e ao Poente pela Rua da Igreja...
Concentrai por momentos o vosso espírito e reflecti. Sem um grande esforço de imaginação, podereis ver o que terá de grandioso, de imponente, de singularmente belo a futura Avenida Central de Vila do Conde ! Ajardinai-a, aformoseai-a com arte, concedei-lhe um especial carinho, dai-lhe vida e cor, e tereis ante os vossos olhos, estáticos, um dos mais lindos recreios das terras de Portugal. É que a seu lado, sobranceiro, ergue-se altivamente o nosso mais nobre monumento a Igreja Matriz suprema maravilha de arquitectura manuelina que, uma vez desafogado e liberto, se revela aos nossos olhos, presos de encantamento, em toda a sua pujante e esplendorosa magnificência.
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"O Democratico", de 10 de Março de 1928

Património Cultural em Imagem (XLVII)


Nas últimas décadas do século XIX, a construção de chalets foi a melhor propaganda do bairro balnear que, desde então, crescia com a Rua dos Banhos (1865) ladeada de belas residências, mas também do Colégio Barbosa Gama (1890) e Hotel Avenida (1918).  O palacete do comendador Joaquim Maria de Mello (a famosa Villa Josefina que, depois, seria de Bento d'Aguiar e do Conde de Riba d'Ave, até chegar, em data recente, à posse da Câmara Municipal) é testemunha dessa época que entra no século XX com grande entusiasmo pela afirmação turística da  praia de Vila do Conde. Recorda os tempos de Bento de Freitas, Júlio Graça, Carlos Barbosa, José Menères e outros ilustres que fizeram grande a terra onde nasceram ou adoptaram como terra de seu coração.

domingo, 2 de junho de 2013

Património Cultural em Imagem (XLVI)


Na margem direita do rio Ave, no lugar do Pevido,  a Norte da seca do bacalhau (de que restam vestígios de "mesas volantes"), estão as paredes da "chamada Casa do Risco, por ter sido nela que durante muitos anos se riscaram e fizeram as formas dos navios que saíam outrora do nosso tão falado estaleiro" (Commercio de Villa do Conde, 8 de Dezembro de 1907). E também servia de armazém onde se guardava o fiel amigo "em fresco e depois de seco". Ali encaixa, actualmente, o Centro de Monitorização e  Interpretação Ambiental.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Revista da Imprensa Antiga (9)

MENDICIDADE

Que vemos? Tantos lumes, tantas flores, tantas sedas e rendas caras, tantos andrajos, tanta fome, tanta miséria, eis um contraste flagrante aqui, na nossa terra, tão pequena, onde todos nos conhecemos, e parece não sentirmos as desgraças que, bem perto de nós, chamam a nossa protecção. Criancinhas quase nuas, com os frios que têm estado, raparigas ainda novas, magras, esquálidas algumas, cansadas do trabalho atrofiante da almofada, único arrimo da sua atribulada vida, velhinhos andrajosos arrastando a sua existência triste, desconfortável. Vemos tudo isso, a passar aí nas ruas, sabemos como vivem, e somente, quando aos sábados em magotes, imploram a nossa esmola, nos incomodamos e bradamos contra a mendicidade.
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"A Republica", de 25 de Janeiro de 1930

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Revista da Imprensa Antiga (8)

 A FEIRA DOS 3

Esteve concorridíssima a feira anual dos 3 d'Agosto. Praça de S. João, Praça da República, Rua 5 d'Outubro e Avenida Campos Henriques, regurgitavam de povo. É a feira dos derriços. Marias houve que, num abrir e fechar d'olhos, davam expediente a meia dúzia de Maneis, derriçando ora em prosa, ora em verso. Comboios, americanos, restaurantes, hotéis, casas de pasto e cafés fizeram excelente negócio. Que nos conste, nem furtos, nem desordens nem qualquer outra ocorrência desagradável.
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"A Republica", de 8 de Agosto de 1915