Edifício do século XVIII, a Casa de Burgães, solar dos Carneiro Pizarro, extenso como a Rua da Costa, desde Santa Luzia à esquina que dá para o Largo do Tijolo, foi "uma das casas mais nobres e mais ricas, não só de Vila do Conde como do País" (dizia o comandante João dos Reis). Viria, depois, na roda do aziago destino, a albergar um Tribunal, uma Cadeia, uma Estação de Correios, e serviu de sede a uma Comissão de Moradores, até cair sem préstimo na lástima das portas fechadas e do interior vazio. Há-de vir, um dia, a obra de recuperação. Para que regresse a imagem da sua grandeza monumental. E para que se possa ver, finalmente, o quarto para onde apontava a Dona Beatriz, avó do senhor Pizarro Monteiro, a dizer que ali nascera o José Maria, filho do juiz Teixeira de Queiroz e de Carolina Pereira d'Eça que preferiu ficar incógnita.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
sábado, 20 de abril de 2013
Revista da Imprensa Antiga (7)
NO LARGO DOS ARTISTAS
"O Democratico", de 22 de Janeiro de 1928
Para o centro da vila, como este largo está situado, temos chamado várias vezes a atenção das autoridades para a garotada que ali se junta e que se porta de tal forma que não só irrita mas enerva quem ali mora ou passa. Ontem, por duas vezes os matulões se envolveram em desordem e como desfecho recebeu um dos mais matulas, uma facada nas costas, ao fim de várias pauladas. No coração da vila, não se pode tolerar tais espectáculos! Esperemos que a autoridade ponha cobro a semelhantes cenas. Assim como ontem enviou um para a cadeia, deve continuar a proceder assim para ver se aquele largo fica limpo de tais garotos, que ali envergonham a terra ante estranho que presenceie e ouça os palavrões que eles soltam.
____________________________"O Democratico", de 22 de Janeiro de 1928
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Revista da Imprensa Antiga (6)
IGREJA DE SANTA CLARA
"O Democratico", de 6 de Fevereiro de 1931
Têm continuado as obras de restauro da Igreja de Santa Clara, e pena é que a verba orçamentada não permita que o número dos operários seja mais elevado. Actualmente está-se procedendo à cobertura da antiga "Casa do Capítulo" com o material que era da "Casa da Visitação" ou "dos Padres" que está quase destelhada completamente. Dentro da Igreja foi levantado o chão que era de pedra e substituído por outro, também de pedra, mas com a simetria necessária. Com a demolição da inútil "Casa dos Padres" ficará a Igreja com o seu belo exterior da parte Norte sem nada a encobri-lo, o qual, depois de reparado convenientemente, mais belezas arquitectónicas patenteará aos olhos dos visitantes.
______________________________"O Democratico", de 6 de Fevereiro de 1931
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Revista da Imprensa Antiga (5)
RANCHOS
Considerando que é mister evitar a bordoada que por vezes tem estado prestes a desabar entre os a paniguados dos ranchos do Monte e da Praça;
Considerando que a União faz a força, como já diziam os bisavós dos avós dos nossos pais;
Considerando ainda que essa fórmula trará benefícios para Vila do Conde, porque a rivalidade neste caso, não dá nada, o Grupo Mangerical decreta em nome da Revolução dos Costumes:
1º Que os ranchos do Monte e da Praça faleçam e se enterrem juntos, colocando-se-lhes na campa uma cruz e o epitáfio seguinte: "Aqui jazem uns zaragateiros que só na morte se puderam unir. Perdoe-se-lhes o mal que fizeram pela intenção com que o faziam".
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"O Mangerico", de 14 de Julho de 1921
Considerando que é mister evitar a bordoada que por vezes tem estado prestes a desabar entre os a paniguados dos ranchos do Monte e da Praça;
Considerando que a União faz a força, como já diziam os bisavós dos avós dos nossos pais;
Considerando ainda que essa fórmula trará benefícios para Vila do Conde, porque a rivalidade neste caso, não dá nada, o Grupo Mangerical decreta em nome da Revolução dos Costumes:
1º Que os ranchos do Monte e da Praça faleçam e se enterrem juntos, colocando-se-lhes na campa uma cruz e o epitáfio seguinte: "Aqui jazem uns zaragateiros que só na morte se puderam unir. Perdoe-se-lhes o mal que fizeram pela intenção com que o faziam".
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"O Mangerico", de 14 de Julho de 1921
domingo, 7 de abril de 2013
Revista da Imprensa Antiga (4)
NA PROCISSÃO DO CORPO DE DEUS
Um episódio interessante.
"Jornal de Villa do Conde", 2 de Junho de 1888
Um episódio interessante.
Pouco depois de principiar a desfilar o cortejo, um dos cavalos que formavam o estado-maior de S.Jorge espantou-se, empinou-se no ar, o que produziu grande susto entre o povo que formava alas. Uma confusão enorme; um sussurro espantoso; algumas mulheres caíram, outras fugiram. Por fim, o fogoso animal sossegou, e o povo voltou à sua natural serenidade, olhando demoradamente o S. Jorge, com aquele mesmo ar risonho com que o contemplou em todos os anos anteriores, quando ele igualmente empunhava a sua lança, de que o sol quente da primavera agonizante arranca vivíssimas cintilações.
_________________________"Jornal de Villa do Conde", 2 de Junho de 1888
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Património Cultural em Imagem (XLIV)
É o Bairro Piscatório, como lhe chamaram no dia solene da inauguração (1 de Maio de 1944). Dava-se, então, um passo grande de progresso sobre o tempo em que as casas começaram por ser de madeira e alumiadas à luz da candeia (séc.XIX) e, depois, sem ruas ainda, se foram erguendo por entre dunas do areal. Já o Bairro não é o que era, quando ali entrou a família da São do Abel que foi a primeira dos habitantes. Mas ainda mantém, na geometria do espaço, na construção de pedra, nas portas e janelas da frente, aquela antiga tradição caxineira de "estreitas casas, alongadas em simétricas filas" (A Republica, de 25 de Dezembro de 1910). Passaram os anos, as coisas foram mudando. E dizem os vizinhos que cada um foi fazendo as obras como pôde...
quinta-feira, 28 de março de 2013
Revista da Imprensa Antiga (3)
A FESTA DO RAIO
"O Correio do Ave", 30 de Novembro de 1883.
Na 2ª feira celebra-se o aniversário do raio, festividade de acção de graças, com exposição do Santíssimo Sacramento, todo o dia, na respectiva capela da Igreja Matriz, em comemoração do MILAGRE que, há poucos anos, manifestou Deus Nosso Senhor ao povo desta Vila, por ocasião de uma grande trovoada, em que caiu um raio dentro da mesma igreja, na ocasião cheia de povo, no número de muitas centenas, procurando a faísca eléctrica corpos menos condutores que o corpo humano, tais como pedra, vidro e madeira, que quebrou, o que foi uma excepção às leis da Natureza – um milagre, sem que tocasse em pessoa alguma. Esta festa noticiamo-la nós todos os anos, e bem assim o motivo dela.
_______________________________"O Correio do Ave", 30 de Novembro de 1883.
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