É o Bairro Piscatório, como lhe chamaram no dia solene da inauguração (1 de Maio de 1944). Dava-se, então, um passo grande de progresso sobre o tempo em que as casas começaram por ser de madeira e alumiadas à luz da candeia (séc.XIX) e, depois, sem ruas ainda, se foram erguendo por entre dunas do areal. Já o Bairro não é o que era, quando ali entrou a família da São do Abel que foi a primeira dos habitantes. Mas ainda mantém, na geometria do espaço, na construção de pedra, nas portas e janelas da frente, aquela antiga tradição caxineira de "estreitas casas, alongadas em simétricas filas" (A Republica, de 25 de Dezembro de 1910). Passaram os anos, as coisas foram mudando. E dizem os vizinhos que cada um foi fazendo as obras como pôde...
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Património Cultural em Imagem (XLIV)
É o Bairro Piscatório, como lhe chamaram no dia solene da inauguração (1 de Maio de 1944). Dava-se, então, um passo grande de progresso sobre o tempo em que as casas começaram por ser de madeira e alumiadas à luz da candeia (séc.XIX) e, depois, sem ruas ainda, se foram erguendo por entre dunas do areal. Já o Bairro não é o que era, quando ali entrou a família da São do Abel que foi a primeira dos habitantes. Mas ainda mantém, na geometria do espaço, na construção de pedra, nas portas e janelas da frente, aquela antiga tradição caxineira de "estreitas casas, alongadas em simétricas filas" (A Republica, de 25 de Dezembro de 1910). Passaram os anos, as coisas foram mudando. E dizem os vizinhos que cada um foi fazendo as obras como pôde...
quinta-feira, 28 de março de 2013
Revista da Imprensa Antiga (3)
A FESTA DO RAIO
"O Correio do Ave", 30 de Novembro de 1883.
Na 2ª feira celebra-se o aniversário do raio, festividade de acção de graças, com exposição do Santíssimo Sacramento, todo o dia, na respectiva capela da Igreja Matriz, em comemoração do MILAGRE que, há poucos anos, manifestou Deus Nosso Senhor ao povo desta Vila, por ocasião de uma grande trovoada, em que caiu um raio dentro da mesma igreja, na ocasião cheia de povo, no número de muitas centenas, procurando a faísca eléctrica corpos menos condutores que o corpo humano, tais como pedra, vidro e madeira, que quebrou, o que foi uma excepção às leis da Natureza – um milagre, sem que tocasse em pessoa alguma. Esta festa noticiamo-la nós todos os anos, e bem assim o motivo dela.
_______________________________"O Correio do Ave", 30 de Novembro de 1883.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Revista da Imprensa Antiga (2)
MANDAMENTOS DO LOJISTA
Se podes faz o negócio,
Sozinho, não queiras sócio,
Meias antigas ou modernas
São boas mas é pr'às pernas...
Freguês que queira fiado
Manda-o pr'a loja do lado.
Não fieis, que as mais das vezes,
Perdeis a massa e os fregueses.
Quando tenhas em casa algum "mono",
Trata logo de o pôr com dono...
Se quiseres caixeiro honrado,
Não lhe roubes o ordenado.
Vai vigiando o pessoal,
Que "isto" está mal, está mal...
Se tens género avariado,
Deita-o fora, ou és multado.
Hoje todo o que negoceia
Pode ir com os ossos à cadeia...
Todo o comércio hoje se queixa
Que o comércio é ruim e não deixa,
Mas ao marcar o preço é preciso
Contar também com o prejuízo.
Por ora não está explícito
O que é ou não lucro lícito.
Se ganhas menos que a despesa,
Vais-te abaixo mais a empresa.
Ganhar pouco e vender muito
Nem sempre quadra ao nosso intuito.
Deves então, podendo, é claro,
Comprar barato e vender caro.
E pr'a dormir com mais descanso,
Deita a miúdo o teu balanço,
E quando vires a vida torta,
Muda o rumo e fecha a porta.
_______________________________________
"O Democratico", 11 de Janeiro de 1935
Se podes faz o negócio,
Sozinho, não queiras sócio,
Meias antigas ou modernas
São boas mas é pr'às pernas...
Freguês que queira fiado
Manda-o pr'a loja do lado.
Não fieis, que as mais das vezes,
Perdeis a massa e os fregueses.
Quando tenhas em casa algum "mono",
Trata logo de o pôr com dono...
Se quiseres caixeiro honrado,
Não lhe roubes o ordenado.
Vai vigiando o pessoal,
Que "isto" está mal, está mal...
Se tens género avariado,
Deita-o fora, ou és multado.
Hoje todo o que negoceia
Pode ir com os ossos à cadeia...
Todo o comércio hoje se queixa
Que o comércio é ruim e não deixa,
Mas ao marcar o preço é preciso
Contar também com o prejuízo.
Por ora não está explícito
O que é ou não lucro lícito.
Se ganhas menos que a despesa,
Vais-te abaixo mais a empresa.
Ganhar pouco e vender muito
Nem sempre quadra ao nosso intuito.
Deves então, podendo, é claro,
Comprar barato e vender caro.
E pr'a dormir com mais descanso,
Deita a miúdo o teu balanço,
E quando vires a vida torta,
Muda o rumo e fecha a porta.
_______________________________________
"O Democratico", 11 de Janeiro de 1935
domingo, 24 de março de 2013
Revista da Imprensa Antiga (1)
Peças de coisa séria ou bem humorada que merecem a memória dos vivos.
IRMANDADE DE NOSSO SENHOR DE NÃO TE RALES
Capítulo 2
Art. 4. – É permitida a inscrição de irmãos residentes em qualquer localidade do Continente e do Ultramar, de um e outro sexo, sendo apenas condição ter nascido no concelho de Vila do Conde, e não querer saber da terra para nada.
Capítulo 7
Art. 15 – Os locais de reunião são em qualquer dos estabelecimentos do comércio, do ramo de "Comes e Bebes", cujas instalações tenham todo o carácter de antiguidade, visto à Irmandade não convir ter sede própria, para não contribuir com mais um prédio nas avenidas onde abundam extensos quintais.
Capítulo 10
Art. 21 – A Irmandade não se dissolve, porque, não sendo obrigada a prestar contas a ninguém, não tem nada a liquidar. § 1 – se vierem a existir credores da Irmandade, não há que dar-lhes satisfações, portanto não se lhes paga, a fim de que por esta forma se obtenham sócios beneméritos, outros tantos descontentes contra mais uma obra dos vilacondenses.
Capítulo 11
Art. 22 – O emblema da Irmandade é um caranguejo em metal, em forma de medalhão rodeado da legenda: "Progresso de Vila do Conde". § 1 – o emblema deve ser usado com um laço de fita em seda vermelha dependurado ao pescoço, a fim de que não haja confusão entre os bons e maus vilacondenses.
IRMANDADE DE NOSSO SENHOR DE NÃO TE RALES
ESTATUTOS
Capítulo 1
Art. 1. – A Irmandade sob a invocação de N.S. de Não te Rales (Associação Bairrista) é uma instituição de crítica permanente, com duração indefinida, tendo a sua sede em Vila do Conde.
Art. 2. – Os seus fins são:
a) criticar tudo quanto se fizer ou pretenda fazer que denote progresso ou benefício para Vila do Conde e seu concelho.
b) distinguir as pessoas que, não fazendo nada pela sua terra, são as que mais falam e exigem que os outros façam.
a) criticar tudo quanto se fizer ou pretenda fazer que denote progresso ou benefício para Vila do Conde e seu concelho.
b) distinguir as pessoas que, não fazendo nada pela sua terra, são as que mais falam e exigem que os outros façam.
Capítulo 2
Art. 4. – É permitida a inscrição de irmãos residentes em qualquer localidade do Continente e do Ultramar, de um e outro sexo, sendo apenas condição ter nascido no concelho de Vila do Conde, e não querer saber da terra para nada.
Capítulo 7
Art. 15 – Os locais de reunião são em qualquer dos estabelecimentos do comércio, do ramo de "Comes e Bebes", cujas instalações tenham todo o carácter de antiguidade, visto à Irmandade não convir ter sede própria, para não contribuir com mais um prédio nas avenidas onde abundam extensos quintais.
Capítulo 10
Art. 21 – A Irmandade não se dissolve, porque, não sendo obrigada a prestar contas a ninguém, não tem nada a liquidar. § 1 – se vierem a existir credores da Irmandade, não há que dar-lhes satisfações, portanto não se lhes paga, a fim de que por esta forma se obtenham sócios beneméritos, outros tantos descontentes contra mais uma obra dos vilacondenses.
Capítulo 11
Art. 22 – O emblema da Irmandade é um caranguejo em metal, em forma de medalhão rodeado da legenda: "Progresso de Vila do Conde". § 1 – o emblema deve ser usado com um laço de fita em seda vermelha dependurado ao pescoço, a fim de que não haja confusão entre os bons e maus vilacondenses.
Art. 23 – As armas e timbre da Irmandade, bem como a sua bandeira são: dois braços em cruz e o caranguejo no alto, tudo rodeado da respectiva legenda.
FIM.
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"O Democratico", 8 de Agosto de 1930 – 15 de Agosto de 1930
sexta-feira, 22 de março de 2013
Património Cultural em Imagem (XLIII)
É a formosa igreja de S.Pedro de Formariz, nome da antiga vila coeva da villa de comite (século X), paróquia anexada, no ano de 1867, à de S.João Baptista de Vila do Conde. Agora, é templo de espaço bastante exíguo, mas já foi suficientemente amplo: como era no século XVIII, quando as quatro aldeias da terra somavam "catorze fogos e cinquenta e quatro pessoas de sacramento e dez menores" (rezam as Memórias Paroquiais de 1758). A brancura das paredes e os acrescentos de restauro dão-lhe um ar moderno. Todavia, o pequeno campanário da sineta e os elementos da frontaria indiciam arquitectura dos finais do século XVI. E vislumbra-se que a primeira construção (de que a nave única é vestígio) remonte a uma antiguidade mais funda.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Património Cultural em Imagem (XLII)
O espaço era tão acanhado que não dava para imagem perfeita e abrangente. Deu para ver uma parte do painel lindíssimo que o mestre Júlio Resende dedicou à glória de Vila do Conde. Esteve, desde 1965, no vestíbulo da casa do antigo Posto de Saúde da Caixa de Previdência que ficava na Avenida Figueiredo de Faria, a pouca distância da Estação de Caminho de Ferro. A obra de Arte, vitimada pela indiferença e pelo descuido, sofreu degradação, ano após ano. Pairava a ameaça de perda irreparável sobre a beleza tranquila das cores suaves que davam o encanto do retrato de Vila do Conde marítima e fluvial, terra de monumentos, fábricas, escolas, barcos, mercancia, operários e rendilheiras. Em boa hora, a Câmara Municipal mandou retirar os azulejos para, algum dia, recolocar o painel em lugar condigno.
NOTA: já se encontra nos Paços do Concelho (1 de Setembro de 2018).
domingo, 27 de janeiro de 2013
Património Cultural em Imagem (XLI)
No tempo das boticas, na Praça de S. João, com o carro americano a passar à porta, a Farmácia Faria era, à data da inauguração (Junho de 1911), "uma perfeita jóia d'arte". Assim saudava a Imprensa da época esta edificação "banhada de luz, presidindo a tudo o mais fino gosto artístico". Abria, então, a primeira farmácia do tempo da República, em cerimónia "festejada com um magnífico copo d'água". Mesmo ao lado, a fazer esquina com a Rua 5 de Outubro, erguia-se o famoso Hotel da Teresinha (de que só resta a boa memória).
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