domingo, 24 de março de 2013

Revista da Imprensa Antiga (1)

Peças de coisa séria ou bem humorada que merecem a memória dos vivos.

IRMANDADE DE NOSSO SENHOR DE NÃO TE RALES

ESTATUTOS
Capítulo 1
Art. 1. A Irmandade sob a invocação de N.S. de Não te Rales (Associação Bairrista) é uma instituição de crítica permanente, com duração indefinida,  tendo a sua sede em Vila do Conde.
Art. 2. Os seus fins são:
a) criticar tudo quanto se fizer ou pretenda fazer que denote progresso ou benefício para Vila do Conde e seu concelho.
 b) distinguir as pessoas que, não fazendo nada pela sua terra, são as que mais falam e exigem que os outros façam.

Capítulo 2

Art. 4. É permitida a inscrição de irmãos residentes em qualquer localidade do Continente e do Ultramar, de um e outro sexo, sendo apenas condição ter nascido no concelho de Vila do Conde, e não querer saber da terra para nada.

Capítulo 7

Art. 15 Os locais de reunião são em qualquer dos estabelecimentos do comércio, do ramo de "Comes e Bebes", cujas instalações tenham todo o carácter de antiguidade, visto à Irmandade não convir ter sede própria, para não contribuir com mais um prédio nas avenidas onde abundam extensos quintais.

Capítulo 10

Art. 21 A Irmandade não se dissolve, porque, não sendo obrigada a prestar contas a ninguém, não tem nada a liquidar. § 1 se vierem a existir credores da Irmandade, não há que dar-lhes satisfações, portanto não se lhes paga, a fim de que por esta forma se obtenham sócios beneméritos, outros tantos descontentes contra mais uma obra dos vilacondenses.

Capítulo 11

Art. 22 O emblema da Irmandade é um caranguejo em metal, em forma de medalhão rodeado da legenda: "Progresso de Vila do Conde". § 1 o emblema deve ser usado com um laço de fita em seda vermelha dependurado ao pescoço, a fim de que não haja confusão entre os bons e maus vilacondenses.
Art. 23 As armas e timbre da Irmandade, bem como a sua bandeira são: dois braços em cruz e o caranguejo no alto, tudo rodeado da respectiva legenda.
                                                                            FIM.
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"O Democratico", 8 de Agosto de 1930 15 de Agosto de 1930

sexta-feira, 22 de março de 2013

Património Cultural em Imagem (XLIII)


É a formosa igreja de S.Pedro de Formariz, nome da antiga vila coeva da villa de comite (século X), paróquia anexada, no ano de 1867,  à de S.João Baptista de Vila do Conde. Agora, é templo de espaço bastante exíguo, mas já foi suficientemente amplo: como era no século XVIII, quando as quatro aldeias da terra somavam "catorze fogos e cinquenta e quatro pessoas de sacramento e dez menores" (rezam as Memórias Paroquiais de 1758). A brancura das paredes e os acrescentos de restauro dão-lhe um ar moderno. Todavia, o pequeno campanário da sineta e os elementos da frontaria indiciam arquitectura dos finais do século XVI. E vislumbra-se que a primeira construção (de que a nave única é vestígio) remonte a uma antiguidade mais funda.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Património Cultural em Imagem (XLII)


O espaço era tão acanhado que não dava para imagem perfeita e abrangente. Deu para ver uma parte do painel lindíssimo que o mestre Júlio Resende dedicou à glória de Vila do Conde. Esteve, desde 1965, no vestíbulo da casa do antigo Posto de Saúde da Caixa de Previdência que ficava  na Avenida Figueiredo de Faria, a pouca distância  da Estação de Caminho de Ferro. A obra de Arte, vitimada pela indiferença e pelo descuido, sofreu degradação, ano após ano. Pairava a ameaça de perda irreparável sobre a beleza  tranquila das cores suaves que davam o encanto do retrato de Vila do Conde marítima e fluvial, terra de monumentos, fábricas, escolas, barcos, mercancia, operários e rendilheiras. Em boa hora, a Câmara Municipal mandou retirar os azulejos para, algum dia, recolocar o painel em lugar condigno.

NOTA: já se encontra nos Paços do Concelho (1 de Setembro de 2018). 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Património Cultural em Imagem (XLI)


No tempo das boticas, na Praça de S. João, com o carro americano a passar à porta, a Farmácia Faria era, à data da inauguração (Junho de 1911), "uma perfeita jóia d'arte". Assim saudava a Imprensa da época esta edificação "banhada de luz, presidindo a tudo o mais fino gosto artístico". Abria, então, a primeira farmácia do tempo da República, em cerimónia "festejada com um magnífico copo d'água". Mesmo ao lado, a fazer esquina com a Rua 5 de Outubro, erguia-se o famoso Hotel da Teresinha (de que só resta a boa memória).

sábado, 29 de dezembro de 2012

Património Cultural em Imagem (XL)


Dá-se a volta à Matriz, olhando para cima onde corre a cachorrada, e a atenção do observador detém-se nas gárgulas de curiosa escultura. Serviam para escoar a chuva, mas havia nelas outras intenções, e não só religiosas. Como a de testemunhar que o povo de Vila do Conde era patriota e virava para Castela o fundo das costas e o resto. É o que se vislumbra, à ponta Nordeste, no que ainda resta da gárgula que uns puritanos fanáticos e ignorantes do século XIX (1878) mandaram truncar, por acharem ser "afronta à moral pública" aquela imagem ingénua da posição ancestral defecante.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

HISTORIAL 2012

RELAÇÃO DAS ACTIVIDADES SÓCIO-CULTURAIS DO ATENEU
DURANTE O ANO DE 2012

1. ASSEMBLEIA GERAL
1 de Fevereiro

Decorreu no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Vila do Conde, para apresentação e apreciação do Relatório de Contas de Gerência, do ano de 2012, e avaliação das actividades sócio-culturais levadas a efeito, ao longo do mesmo ano.

2. LANÇAMENTO DO LIVRO “APONTAMENTOS E RECORDAÇÕES DE CARLOS OUVIDOR DA COSTA”    
14 de Abril


A apresentação da obra, uma edição do Ateneu, esteve a cargo da Drª Elisa Ferraz, Vereadora da Câmara de Vila do Conde, que evocou a figura do Autor e percorreu os passos principais e expressivos do livro, cujo conteúdo é relevante para o conhecimento da História de Vila do Conde.

3. RÉGIO:UMA FIGURA TUTELAR NO CINEMA DE MANOEL DE  OLIVEIRA
15 de Junho


Conferência pronunciada, no Auditório da Biblioteca Municipal de Vila do Conde, pelo Doutor Manuel Tojal de Meneses, Professor do ISMAI, que identificou o diálogo produtivo entre Régio e Oliveira, apreciando a influência da poesia de um na cinematografia do outro.

4. A EMIGRAÇÃO DO CONCELHO DE VILA DO CONDE PARA O BRASIL (1865-1913). OS BEM SUCEDIDOS E OS OUTROS
12 de Outubro


Conferência que a Doutora Maria Adelina Piloto, docente e  investigadora, realizou, no Auditório da Biblioteca Municipal de Vila do Conde, sobre um assunto de grande relevo para a História Demográfica e Social da nossa Cidade e seu Concelho.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Património Cultural em Imagem (XXXIX)


É a estátua da Misericórdia que encima o frontão, ao centro da fachada do Hospital. E o emblema da Santa Casa decora-lhe o tímpano. Obra inaugurada a 6 de Dezembro de 1931, depois de muitos anos de trabalho e muita persistência de boas vontades, veio substituir o velho edifício de sóbria arquitetura, que Diogo Pereira, generoso galego do século XVII, havia mandado erguer, no mesmo lugar, para pousada, recolhimento e cura de pobres que, até então, só tinham um albergue miserável, à entrada da rua da Senra, para refrigério de enfermidades e sofrimento.