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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Património Cultural em Imagem (XXXII)



Olhamos o candeeiro, ali no Largo da Bajoca, e ficamos com a imagem do que seria o modo da iluminação de ruas e praças, na Primeira República. Era o tempo do Manuel d'Agonia, o Xolim, empregado camarário, de escada ao ombro e balde na mão com os apetrechos de limpar, acender e apagar os lampiões a carboneto. Hoje, não são os de há 100 anos, mas conservam o mesmo estilo na vidraça. E segura-os à parede o suporte metálico, de adorno esbelto, que documenta o gosto da Arte Nova.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Património Cultural em Imagem (XXXI)



Esta já não é uma porta comum das escolas da Primeira República. É uma entrada robusta, sólida, segura e granítica como eram as obras do Estado Novo, para crianças que deviam pensar no futuro de "cabeça erguida e sereno olhar". A sua arquitectura tinha o peso da disciplina e dava passagem para salas de carteiras alinhadas, onde os alunos da Primária se repartiam por classes, cada um com lousa e pena de tinteiro, livro de leitura e pouco mais, sob direcção do professor ou professora que os ensinavam com reconhecida competência – o que incluía o recurso à régua, palmatória e afins. É o que lembra a quem tem mais de meio século de vida e, ao descer a rua Dr. António de Andrade, lança a vista às escolas. Como o Mundo está mudado!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Património Cultural em Imagem (XXX)



A ermida é levantada para adorar a Deus, pelo culto a Santa Catarina, padroeira dos navegantes.
A sua porta principal, em ogiva, está virada ao Poente, como é tradição da Igreja para que o cristão fique de rosto para Jerusalém. Construção do século XV, com sino pequeno sobre o telhado, à frente, para chamar os fiéis à liturgia, e de alpendre para seu abrigo, a orada não era só um templo. Longe do povoado, sobre a colina, em lugar ermo, era um convite à contemplação. Antero de Quental vinha até aqui, ao crepúsculo, quando a garrida dava as trindades que ele ouvia da Praça Velha.

sábado, 26 de novembro de 2011

Património Cultural em Imagem (XXIX)



Sobre a almofada, a magnífica Arte da renda! Daqui vai nascer o brasão de Vila do Conde. As mãos dedilham os bilros que apontam as linhas ao desenho do pique. É obra que aparece onde pousa a asa do génio, é trabalho inspirado pela graça da beleza. E, mais ainda, é celebração da memória, não só porque documenta que há rendas onde há redes, com tradição de sobrevivência e até de resistência, mas também porque, na sua apreciada qualidade de lindeza e finura, recorda relacionamentos internacionais com praças de comércio rico, do Levante ao Poente e ao Norte, portos de fama a que apontavam as caravelas e naus saídas da foz do Ave.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Património Cultural em Imagem (XXVIII)



A sede social do Rio Ave Futebol Clube está aqui, na Praça da República, desde 1963. À data da inauguração, ainda o RAFC jogava no Estádio da Avenida e ninguém sonhava que a sua casa principal haveria de ser o magnífico Estádio dos Arcos. Esta sua casa antiga é a memória de entusiasmos e persistências, encontros e convívios de Associados que, no curso do tempo, transportam glórias e sacrifícios celebrados no emblema permanente da frontaria, tanto quanto, em dias solenes e horas de júbilo, no hasteamento do estandarte um e outro, símbolos da vocação que chama o RAFC para o estatuto de grandeza condigna ao prestígio de Vila do Conde.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Património Cultural em Imagem (XXVII)



Na berma da antiga Doca, os moirões não são capricho de pedreiro. Colunas breves como estas, guardaram o Pelourinho que, durante séculos, esteve junto ao rio. E são marcos como estes que, pela margem direita, correm ao longo do cais. Olhamos para eles e ficamos a pensar no significado que transportam, desde as origens (certamente ancestrais). Poderão ser talvez (e apenas) imitação em pedra, de canhões caídos em desuso, após a decadência desse tipo de artilharia (já a partir do século XVII), coisa de moda que pegou por essa Europa fora. Mas caberá sempre esta pergunta: não serão a lembrança que remonta, por dez milénios, ao culto fálico dos tempos do Paleolítico Superior?

domingo, 31 de julho de 2011

Património Cultural em Imagem (XXVI)



Nos Anos 40 do século passado, o que estava escrito ao centro do tríptico de painéis de azulejo, no antigo Largo do Carmo, identificando a instituição, era o seguinte: RECREIO INFANTIL DR. ANTÓNIO PIRES DE LIMA. Referenciava aquele que, na altura, era governador civil do Porto, homem de confiança do regime de Salazar. Depois do 25 de Abril, o entusiasmo anti-fascista varreu-lhe o nome. Mas ficou o mais interessante – a beleza bucólica dos desenhos.

sábado, 16 de julho de 2011

Património Cultural em Imagem (XXV)



No enfiamento do Posto da Guarda Fiscal (que já não existe) com o penedo do Guilhão, este farol sinalizava a entrada da barra, pelo Norte, na enseada das Caxinas. É o que resta dos velhos tempos de pesca da sardinha e da faneca, em que o Porto de Abrigo era o varadouro bom e prestimoso para muitas pequenas embarcações que a ele se acolhiam. Logo vem à lembrança da gente o trabalho das mulheres afoitas na apanha do sargaço, e a chiadeira dos carros dos lavradores, puxados a juntas de bois, que iam buscar o pilado para adubar os campos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Património Cultural em Imagem (XXIV)



À tona da água estão pedras que restam da ponte caída (1821). A montante, está uma azenha, de reconstrução manuelina, uma entre várias moendas que o Convento de Santa Clara tinha nas margens do rio. Mas, antes de haver freiras em Vila do Conde, já havia ali engenhos de mós. E, antes de haver açude, teria havido, desde o século XIII, uma velha ponte (a de S. Tiago). No entanto, as abadessas preferiram sempre a represa que punha os moinhos a trabalhar, donde vinha a farinha que dava pão. Em vez de ponte, puseram uma barca que ia de um lado ao outro e, por cada passagem, dava tributo de boa renda.

domingo, 22 de maio de 2011

Património Cultural em Imagem (XXIII)



Na parte Norte do Mercado Municipal, quando ali se realizava a Feira do Gado, era este o bebedouro dos animais. Olha-se para a fonte-chafariz e recorda-se o tempo de civilização rural em que as boas reses da lavoura vinham ao recinto da compra e venda para negócio tratado a conto de rei. Já caiu a esfera de pedra que rematava a taça elegante, ao centro da construção, mas resta a estrutura principal com a imponência de outrora. E com um toque de antigo gosto romano, que era o de saber fazer das coisas belas coisas úteis.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Património Cultural em Imagem (XXII)



Quem passa pela Rua da Senra, pisando a calçada pedregosa, como esta junto à Travessa do Ferreiro, sente que vem do fundo dos tempos a voz de alguém que, descendo da Misericórdia para o rio, por ali saía ao cultivo da seara, terreno campestre que cercava a Vila ribeirinha, pela banda do mar, com a ermida de S. Tiago à vista.

sábado, 2 de abril de 2011

Património Cultural em Imagem (XXI)



Esta capela (que é de S. Sebastião) é de pedras que andaram em bolandas, de século em século. No princípio do século XVI, estava no Campo que do Santo Mártir tinha o nome, situada entre as Hortas e a Rua dos Mourilheiros (que é, hoje, da Misericórdia). Para plantar ali a Igreja Matriz, demoliram a velha ermida, pegaram nos materiais e foram erguer reconstrução no começo da Rua de S. Bartolomeu (agora, Rua da Lapa). Por lá ficou, até que, nos meados do século XIX, por via da abertura da Estrada Real (Rua de D. Luís e, mais tarde, 5 de Outubro), trasladaram a orada para o Cemitério Municipal. Onde descansa de tanta mudança. Secularizaram-na, nos primeiros tempos da República. E ficou fora do Culto.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Património Cultural em Imagem (XX)



Aqui está um bom exemplo de preservação da memória! Em tempos que já lá vão, na Vila dos Descobrimentos, vinha de Santa Catarina, para Sul, uma ruela que dava a volta ao Chão dos Cordoeiros e, a Nascente, atravessando o Ribeiro do Colégio (que, por ali, fazia charco) desembocava no pequeno largo de Santa Luzia, ao pé da capela (demolida em 1899). Era a Rua da Cordoaria. Tinha no seu enfiamento a Rua da Judiaria (hoje, Rua de D.Mendo). Dali, também flectia, para Nordeste, um caminho que ia dar à Praça Velha.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Património Cultural em Imagem (XIX)



Ó vós que ides passando, lembrai-vos de nós que estamos penando! É o que imploram as almas do Purgatório, representadas no painel de azulejo que está na parede fundeira dos nichos que a piedade do nosso povo ergueu, à margem das estradas ou nas encruzilhadas dos caminhos. Assim apareceram as Alminhas, pelas ruas da cidade. Como estas que vamos encontrar no alto da 5 de Outubro, à esquina de Cimo de Vila. Diz quem mora ali perto que são do tempo do Rei.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Património Cultural em Imagem (XVIII)



Por iniciativa do Rancho do Monte, durante a celebração do Milenário de Vila do Conde, no ano de 1953, foi reconstruída a antiga Fonte de S. João, na encosta do Convento. Conservava as esferas armilares e a coroa, mas já não tinha o escudo das armas reais de D. Manuel, que foram picadas no tempo da 1.ª Invasão Francesa, por ordem de Junot. Como também já não tinha a imagem do Santo no pequeno nicho com baldaquino em forma de concha. Certamente alguém a retirou por ver que, ano a ano, na Festa do Padroeiro, as raparigas solteiras lhe atiravam a sua pedrinha, a tentar que ficasse lá e, assim, o conseguindo, pudessem ter esperança de arranjar noivo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Património Cultural em Imagem (XVII)



Magníficos azulejos no alto da fachada do edifício de bela imponência que, na Primeira República, foi Casino e, nos Anos 50, acolheu o Grande Colégio de S. José, até que, no final dos Anos 80, passou a ser o Centro Municipal de Juventude. Não são azulejos tão antigos como os da igreja da Misericórdia ou da capela do Socorro, mas são lindíssimos documentos decorativos da Arte Nova. Têm a qualidade de padrões estéticos do princípio do século XX, que vêm inserir-se no contexto local de Cultura e Tradição. Na horizontalidade do friso, esvoaçam gaivotas que sustentam finos cabos de pesca de elegante desenho, adornados com festões garridos de flores temas inspirados que ilustram e identificam a terra, o mar e o céu de Vila do Conde.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Património Cultural em Imagem (XVI)



O que sabemos da Arquitectura monumental do Gótico tardio, decorado pelo Estilo Manuelino, está em contraponto ao que ignoramos de Arquitectura de habitação. Mas já é bom poder contemplar as nossas Casas Manuelinas para que os olhos vejam e admirem a harmonia das portas e janelas, a geometria do chanfro dos umbrais, a sugestão estética do flamejante ou do rendilhado dos lintéis, a beleza da frontaria em sua gramática de uma decoração singela e fascinante. São jóias de pedra incrustadas no tecido urbano da Vila do Conde quinhentista. Térreas ou sobradadas, moradias de burgueses (alguns deles, certamente cristãos-novos, gente de fortuna), documentam, na solidez da construção e na elegância da fachada, a prosperidade da época dos Descobrimentos.

domingo, 24 de outubro de 2010

Património Cultural em Imagem (XV)


A tradição da Festa Eucarística tem séculos. E a procissão imponente que saía da Igreja Matriz, a percorrer as ruas principais do burgo, deixou cair, no princípio do século XIX, aparatos triunfantes pouco litúrgicos, qual era, por exemplo, um S. Jorge a cavalo, de lança apontada ao dragão. Tal como se aboliu, pela mesma altura, a cena de antigas danças profanas. Verduras e flores dispersas pelos caminhos da Hóstia Santa são também de longa data. Mas os tapetes que chegam aos nossos dias como obra magnífica, ainda não fizeram cem anos. Temos deles notícia segura, pela Imprensa local, do tempo em que a Primeira República ia com cinco anos de vida.

sábado, 25 de setembro de 2010

Património Cultural em Imagem (XIV)



Quem vai pela rua de Nossa Senhora de Fátima para a rua do Conde D. Mendo, dá com a 2ª Estação da Via Sacra Jesus carregando a cruz ao ombro. Há um século atrás, ficava este Calvário no adro da Igreja Matriz, à esquina da rua da Igreja. Por ali passava, logo em seu começo, a Procissão do Senhor dos Passos, no tempo da Quaresma. É uma pequena capela (de entre as seis que se erigiram pelas artérias antigas da Vila), onde as imagens traduzem o gosto do povo e a sua emoção religiosa, bela estatuária de santeiros de génio (como foi o mestre Domingos Moreira) que, na segunda metade do século XVIII, souberam exprimir com encantos de escultura ingénua a devoção católica à Paixão de Cristo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Património Cultural em Imagem (XIII)



Quem sai da rua Rainha Dona Leonor, ao entroncar na rua Cunha Araújo, olha para um amplo edifício que, no primeiro piso, tem sete janelas. São o que resta da magnífica frontaria do célebre Teatro Afonso Sanches. Já não existem essas aberturas imponentes que rematavam em arco de volta inteira. E também não existe, ao meio da fachada, uma lindíssima varanda do tempo áureo da arte do ferro forjado, em Vila do Conde. Exactamente a varanda que adorna a casa que foi de Serafim Ramos, médico ilustre, do lado nascente, na parede que dá para o largo Guilherme Gomes Fernandes.